Mendoza reúne alguns dos cenários mais emblemáticos da Argentina em uma mesma viagem. Aos pés da Cordilheira dos Andes, a província combina vinhedos, restaurantes, parques, montanhas e atividades de aventura, tendo o Malbec como um dos principais símbolos turísticos. Para brasileiros, o destino também apresenta a vantagem de contar com voos diretos a partir de São Paulo em determinados períodos e uma oferta diversificada de hospedagem.
O enoturismo é o principal cartão-postal de Mendoza. As regiões de Maipú, Luján de Cuyo e Valle de Uco concentram centenas de vinícolas abertas à visitação, com degustações, restaurantes e experiências de colheita. A província é especialmente associada ao Malbec, enquanto algumas de suas vinícolas ganharam reconhecimento internacional. Para quem pretende conhecer a produção local sem gastar muito, passeios por três vinícolas em Maipú aparecem a partir de cerca de R$ 190 por pessoa, segundo levantamento de preços de 2026.
Outro eixo da viagem está na Cordilheira dos Andes. O Parque Provincial Aconcágua abriga a montanha mais alta das Américas, com 6.962 metros de altitude, segundo dados atualizados do turismo argentino. Não é necessário ser montanhista para conhecer a região: há caminhadas de menor dificuldade, incluindo o acesso à área da Laguna de los Horcones, de onde se observa a imponente face da montanha. Para expedições de alta montanha, porém, são necessários preparo, equipamentos e acompanhamento especializado.
A paisagem andina ainda inclui atrações como Puente del Inca, uma formação natural de grande valor paisagístico, as Termas de Cacheuta e o Cañón del Atuel, além do dique Potrerillos, onde são praticados esportes aquáticos. Dependendo da época, o visitante pode incluir rafting, cavalgadas, ciclismo, trekking e outras atividades ao ar livre. Um passeio organizado pelas montanhas dos Andes custa, como referência, cerca de R$ 354, enquanto uma excursão à região de Puente del Inca parte de aproximadamente R$ 353.
Uma cidade reconstruída depois de um terremoto
Mendoza também guarda uma história marcada pela reconstrução. A cidade foi fundada em 2 de março de 1561 por Pedro del Castillo e, durante o período colonial, integrou a região de Cuyo. Em 20 de março de 1861, um terremoto de intensidade IX na escala Mercalli destruiu a cidade e provocou cerca de 6 mil mortes em uma população de aproximadamente 18 mil habitantes. A tragédia transformou a paisagem urbana e influenciou a reconstrução de Mendoza.
A história pode ser percebida também na relação entre a cidade e seus sistemas de irrigação, fundamentais para transformar uma região árida em importante área agrícola e vitivinícola. No ambiente urbano, o Parque General San Martín é uma das principais áreas verdes. Criado em 1896 pelo paisagista Carlos Thays, o parque reúne lago, jardim de rosas, museu e caminhos que levam ao Cerro de la Gloria, outro ponto tradicional de visitação.
Quanto custa chegar e ficar
Para quem parte do Brasil, os valores variam bastante. Em uma pesquisa de fevereiro de 2026, a faixa encontrada para passagens de ida e volta entre São Paulo e Mendoza ficou entre R$ 1.900 e R$ 3.400, dependendo da temporada. Em uma promoção da LATAM realizada no fim de agosto, apareceram bilhetes de São Paulo para Mendoza a partir de R$ 2.163,78, ida e volta com taxas incluídas. Já para quem sai de Belo Horizonte, uma pesquisa de julho encontrou opções para a Argentina a partir de R$ 1.845, embora o valor e a disponibilidade dependam das datas.
Na hospedagem, há opções para diferentes orçamentos. Pesquisas recentes apontam hotéis econômicos na faixa de aproximadamente R$ 41 a R$ 159 por diária, enquanto estabelecimentos intermediários podem variar de R$ 148 a R$ 811, dependendo da temporada. Na busca atual da Decolar, hotéis como Crillon Hotel Mendoza apareciam a partir de cerca de R$ 247 por noite, enquanto opções como Huentala Hotel e Amérian Mendoza estavam na faixa de R$ 522 a R$ 558. Hotéis de luxo podem ultrapassar R$ 1.000 por noite e, em períodos de alta demanda, alcançar valores muito superiores.
O orçamento diário também depende do perfil do viajante. Uma refeição em restaurante simples foi estimada em cerca de R$ 58, enquanto uma refeição para duas pessoas em estabelecimento intermediário aparece na faixa de R$ 237. Para quem busca experiências gastronômicas sofisticadas, restaurantes reconhecidos pelo Guia Michelin podem elevar consideravelmente os gastos. Mendoza recebeu estrelas Michelin para restaurantes como Azafrán, Brindillas, Casa Vigil e Zonda Cocina de Paisaje, ampliando a oferta para além das tradicionais parrillas argentinas.
Quando ir
A escolha da época depende do tipo de viagem. Outono e primavera são indicados para quem deseja combinar temperaturas mais agradáveis com vinícolas e atividades ao ar livre. O verão, entre dezembro e março, favorece os passeios pelos vinhedos e coincide com o período da vindima, enquanto julho e agosto são meses procurados por quem pretende aproveitar a neve e centros de esqui da província. A temporada de escalada do Aconcágua, por sua vez, ocorre oficialmente entre meados de novembro e março, condicionada às condições climáticas.
Mendoza funciona, portanto, tanto para uma escapada de poucos dias quanto para uma viagem mais longa pela Argentina. Um roteiro de quatro a cinco dias permite dividir o tempo entre o centro da cidade, uma ou duas regiões vinícolas e a Cordilheira dos Andes. Para quem dispõe de mais tempo, San Rafael e o Cañón del Atuel ampliam o roteiro. A combinação de vinho, gastronomia, história e montanha explica por que a província se consolidou como um dos destinos mais completos do país vizinho.
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