As 12 delegacias regionais da Polícia Civil de Alagoas passaram a contar com a presença fixa de delegadas de polícia para o atendimento a mulheres vítimas de violência de gênero.
A medida é fruto da recente nomeação de novas profissionais na corporação e busca descentralizar a investigação desses crimes, antes concentrada na Região Metropolitana de Maceió.
Ao todo, 30 delegadas foram mobilizadas na estrutura do programa estadual Alagoas Por Elas. Do total, 12 atuam diretamente nos municípios do interior e outras 12 reforçam o plantão e as investigações na capital.
O objetivo da escala é dar celeridade aos inquéritos e garantir acolhimento especializado às vítimas no momento da denúncia.
Segundo a delegada Ana Luiza Nogueira, os crimes de ameaça e o descumprimento de medidas protetivas de urgência lideram as estatísticas de violência doméstica no estado.
Ela aponta que a ameaça é o principal sinal de alerta antes de agressões físicas mais severas.
"A mulher não precisa aguardar a violência física se concretizar para procurar a polícia. No crime de ameaça, o registro do boletim de ocorrência é fundamental para romper a espiral da violência e solicitar a proteção judicial", declarou a delegada.
A Polícia Civil destaca que, nos casos em que o agressor desrespeita a ordem judicial de afastamento, a vítima deve registrar imediatamente um novo Boletim de Ocorrência.
O procedimento permite que a Justiça expeça o mandado de prisão preventiva ou que a Polícia efetue a prisão em flagrante do suspeito.
O registro de denúncias pode ser feito presencialmente nas unidades com atendimento 24 horas, como as delegacias do Centro e da parte alta de Maceió, além das regionais no interior, ou de forma virtual no site da Polícia Civil.
No último ano, o estado contabilizou mais de 10 mil boletins de ocorrência de violência de gênero.
Para as autoridades policiais, o volume reflete tanto o aumento da confiança das vítimas na resposta das forças de segurança quanto a quebra do silêncio motivada pela divulgação dos canais de proteção.
