A ampliação das vagas em creches concentra as principais propostas para a primeira infância apresentadas pelos candidatos ao Governo de Alagoas. Dos quatro planos analisados, apenas os de JHC (PSDB) e Lenilda Luna (UP) detalham medidas destinadas às crianças de até 6 anos.

As duas candidaturas propõem integrar educação, saúde e assistência social, com ações que começam no pré-natal e incluem atendimento infantil, segurança alimentar e acompanhamento de famílias vulneráveis.

Renan Filho (MDB) e Márcio Jambo (Democrata), por outro lado, não dedicam um eixo à primeira infância nem estabelecem metas de atendimento para esse público.

O tema alcança uma parcela significativa da população. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Alagoas tinha 320.794 crianças de até 6 anos, o equivalente a aproximadamente 10,3% dos moradores do estado.

O CadaMinuto analisou os quatro planos disponíveis na plataforma DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral. A ausência de propostas específicas não indica oposição ao tema, mas mostra que o compromisso não foi detalhado nos documentos.

JHC propõe repasses para abertura de vagas em creches

JHC reúne as políticas para a primeira infância no eixo “Alagoas que cuida”. A principal iniciativa é o Gigantinhos Alagoas, programa que prevê o cofinanciamento estadual de vagas em creches mantidas pelos municípios.

A proposta inclui repasses por vaga criada, projetos arquitetônicos padronizados, assistência técnica para obras e licitações e formação continuada de professores e gestores da educação infantil.

O candidato também pretende estabelecer padrões de qualidade e pactuar com as prefeituras metas de ampliação do atendimento. O programa prevê ainda organizar a transição das crianças da creche para as etapas seguintes da educação.

Na saúde, o Alagoas de Mãe para Mãe promete acompanhar mães e crianças desde o pré-natal até o puerpério, além de ampliar a presença de obstetras e neonatologistas no interior.

O plano inclui atendimento pediátrico especializado e uma linha de cuidado para crianças autistas. Famílias com crianças pequenas também teriam prioridade nas ações de combate à insegurança alimentar.

Na assistência social, a proposta é ampliar a cobertura do Criança Feliz e o acompanhamento das famílias pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). A alfabetização na idade certa aparece como continuidade das ações voltadas ao desenvolvimento infantil.

Dentro do universo da primeira infância, o plano destaca as crianças em situação de vulnerabilidade. Segundo os números apresentados pela candidatura, Alagoas tem 139,6 mil crianças de até 3 anos inscritas no Cadastro Único, mas somente 14,27% desse público seria atendido pelo Criança Feliz.

O documento também menciona um passivo de 40 mil vagas de creche não concluídas. Os dados são utilizados pela campanha para justificar a criação dos programas, mas não foram apresentados como números verificados de forma independente.

Lenilda prioriza famílias inscritas no CadÚnico

Lenilda Luna também aposta na expansão da educação infantil. A candidata propõe apoiar financeiramente os 102 municípios alagoanos na abertura de vagas em creches e pré-escolas.

A ampliação deverá priorizar crianças de famílias em situação de extrema vulnerabilidade inscritas no Cadastro Único. Segundo o programa, as unidades deverão contar com infraestrutura adaptada e suporte nutricional.

A proposta conecta a educação infantil ao atendimento de saúde. Lenilda pretende integrar os programas de visitas domiciliares à atenção primária, incluindo pré-natal, vacinação e estímulos ao desenvolvimento cognitivo e motor.

O plano também prevê suporte socioemocional e ações de geração de renda para famílias monoparentais chefiadas por mulheres em situação de vulnerabilidade.

Na área da inclusão, a candidata promete criar comitês nas escolas e contratar profissionais para acompanhar estudantes com deficiência, autismo e TDAH.

A alimentação infantil também aparece no documento. Lenilda propõe restringir a publicidade e a venda de produtos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas e nas áreas próximas às unidades de ensino.

Renan cita apoio à amamentação de estudantes

O plano de Renan Filho reúne 53 propostas, mas não apresenta um capítulo próprio nem um conjunto de medidas dirigido expressamente às crianças de até 6 anos.

A iniciativa mais próxima do tema é o programa Mãe Estudante: Espaço Afeto, destinado a apoiar a amamentação e a permanência escolar de estudantes que são mães.

Renan também promete ampliar a rede hospitalar, com serviços voltados à saúde da mulher, expandir o cofinanciamento dos Cras e Creas e interiorizar a rede de restaurantes populares.

Embora possam alcançar gestantes, mães e famílias com crianças, essas medidas não são apresentadas no documento como uma política integrada de primeira infância.

O plano também não detalha a abertura de vagas em creches, o acompanhamento do desenvolvimento infantil ou metas de atendimento para crianças de até 6 anos.

Márcio Jambo não detalha ações para a primeira infância

O plano de Márcio Jambo também não reúne medidas dirigidas expressamente à primeira infância.

Na saúde, o candidato defende o fortalecimento da atenção básica, a ampliação de programas de prevenção de doenças e a criação de ações de apoio às famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Na educação, Jambo propõe ampliar as escolas técnicas e militares, rever o modelo de progressão automática e inserir o empreendedorismo na educação básica.

O documento, entretanto, não estabelece metas para creches e pré-escolas nem apresenta ações específicas para gestantes ou para o desenvolvimento de crianças de até 6 anos.