O promotor Coaracy José Oliveira da Fonseca afirmou não ter condições funcionais para enfrentar sozinho organizações criminosas e grupos de pistolagem e relatou riscos à própria segurança e à de sua família. A manifestação foi publicada no Diário Oficial do Ministério Público de Alagoas desta quarta-feira (26).

O alerta foi encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Lean Antônio Ferreira de Araújo, após Coaracy reunir informações que classificou como “consistentes” sobre possíveis tentativas de fraude no concurso para agente e escrivão da Polícia Civil de Alagoas.

Segundo o integrante da 17ª Promotoria de Justiça da Capital, as suspeitas envolvem a possível entrada nos quadros da segurança pública de pessoas relacionadas ao crime organizado, inclusive a grupos de pistolagem, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho.

“Não disponho de condições funcionais para enfrentar isoladamente organizações criminosas ou estruturas de pistolagem”, afirmou.

No documento, Coaracy também diz que não considera justificável expor sua segurança e a da família a riscos dessa natureza sem o apoio de uma estrutura institucional adequada.

Acesso a armas e investigações

Para o promotor, uma eventual fraude no concurso poderia permitir o ingresso de pessoas que teriam acesso a armas, sistemas policiais, investigações sigilosas e dados de inteligência.

“A segurança desse concurso não constitui mera questão administrativa; constitui caso de segurança pública”, registrou.

Coaracy afirmou ainda que, durante trabalho de pesquisa e investigação, constatou uma possível infiltração de agentes de facções criminosas em poderes constituídos e órgãos independentes de Alagoas.

O documento, no entanto, não apresenta publicamente os elementos reunidos, não identifica candidatos ou servidores e não confirma a existência de fraude ou infiltração. As informações ainda precisam ser submetidas a uma investigação especializada.

Decisão caberá à chefia do MPAL

O promotor comunicou o caso à chefia do Ministério Público para que a instituição defina como enfrentará os riscos apontados. Entre as medidas mencionadas estão o acompanhamento preventivo do concurso, a participação de órgãos especializados e a proteção das informações e das pessoas envolvidas.

Coaracy também afirmou que o Governo de Alagoas tem deixado sem resposta ofícios e requisições expedidos pela Promotoria, o que, segundo ele, compromete a fiscalização preventiva.

A definição das providências caberá ao procurador-geral de Justiça. Até o momento, o documento não informa se houve abertura de uma investigação específica sobre as suspeitas.