Alguns estreantes e deputados em busca da reeleição constatam que esta eleição está ainda mais dominada pelo dinheiro.  

Em determinados segmentos do eleitorado, dizem, o voto só acontece quando existe algum tipo de acordo financeiro.

Há políticos que apoiam escolas, universidades e outras iniciativas, mas o serviço comprovadamente prestado nem sempre garante o compromisso do voto.

Um candidato me disse que, antigamente, o sujeito - ou a família - podia votar, por exemplo, em Lula para presidente e, na proporcional, no deputado estadual e federal do campo da esquerda.

Agora, pode até continuar votando no candidato majoritário. Mas, se aparecer um candidato de direita ou extrema-direita oferecendo o chamado “faz-me-rir”, o acordo pode acontecer.

Segundo relatos de candidatos, tanto no interior de Alagoas quanto em Maceió, há casos de votos negociados por R$ 500 ou R$ 1.000 por eleitor.

O voto de opinião, portanto, perde espaço. E isso representa um problema para a política e para a própria democracia.

São cidadãos que, muitas vezes, ficam à margem da discussão política e não demonstram interesse por escândalos, denúncias ou investigações que deveriam provocar algum tipo de reação social.

É o caso, por exemplo, das investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master e o instituto de aposentados do município de Maceió.  

Tampouco há mobilização significativa diante das investigações da PF sobre supostos desvios de milhões de reais na Secretaria de Saúde de Alagoas. E os políticos percebem isso.

Por isso, alguns se apresentam nas redes sociais como comediantes: aparecem dançando, comendo, bebendo, fazendo exercícios físicos, brincando e produzindo vídeos para gerar engajamento. Tudo, menos discutir política.

É uma espécie de círculo vicioso: o eleitor transforma o voto em negócio e o candidato transforma a campanha em espetáculo. E a política e o político ficam sem conteúdo.