Profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Maceió iniciaram, na última sexta-feira (14), uma nova etapa de capacitação prevista nas medidas de reparação pelos danos provocados pela mineração de sal-gema da Braskem na capital alagoana.
A formação integra o projeto Integra RAPS, desenvolvido dentro do Plano de Ações Sociourbanísticas (PAS), incluído no Acordo Socioambiental firmado para mitigar e reparar os impactos do desastre. A abertura ocorreu no auditório do Senai, no bairro do Poço, e foi acompanhada pelas procuradoras da República Roberta Bomfim e Juliana Câmara.
A programação segue até novembro e reúne sete módulos destinados a trabalhadores e gestores da saúde mental. Entre os assuntos previstos estão atenção primária, primeira infância, saúde da mulher, proteção da pessoa idosa, vulnerabilidade psicossocial, racismo, inclusão, gestão de crises e prevenção do suicídio.
Segundo o MPF, a proposta é melhorar a comunicação entre os serviços municipais e preparar os profissionais para atuar de forma integrada no atendimento aos pacientes.
“Mais do que executar ações previstas em um acordo, é fundamental que elas deixem resultados permanentes para a cidade. Fortalecer os profissionais e integrar a rede significa melhorar a capacidade do poder público de acolher e cuidar das pessoas que precisam dos serviços de saúde mental”, afirmou Roberta Bomfim.
Juliana Câmara também apontou a necessidade de articulação entre os equipamentos da rede.
“O cuidado em saúde mental exige integração. Não basta termos diferentes equipamentos e profissionais se eles não estiverem conectados e preparados para construir respostas conjuntas. Essa formação contribui justamente para fortalecer essa rede”, declarou.
Segunda etapa
Iniciado em dezembro de 2025, o Integra RAPS foi dividido em dois eixos. O primeiro, chamado Rotinas Compartilhadas, promoveu até julho encontros e oficinas sobre organização territorial, Projeto Terapêutico Singular (PTS), matriciamento, classificação de riscos e definição dos fluxos de atendimento.
A segunda etapa corresponde aos módulos formativos realizados entre agosto e novembro. A abertura contou com a participação da escritora, psicanalista e educadora parental Elisama Santos, que abordou saúde mental dos trabalhadores e mediação de conflitos.
Também participou o psicólogo João Mendes de Lima Júnior, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e ex-coordenador-geral de Desinstitucionalização e Direitos Humanos do Ministério da Saúde. Ele ministrou uma palestra sobre desinstitucionalização, luta antimanicomial e atendimento em liberdade na rede pública.
Medidas de reparação
O Plano de Ações Sociourbanísticas reúne medidas nas áreas de saúde, educação, assistência social, mobilidade e estruturação dos serviços públicos. As ações fazem parte das obrigações estabelecidas para reparar e compensar os impactos causados pelo desastre da mineração em Maceió.
O MPF acompanha a execução do plano e o cumprimento dos compromissos firmados no acordo relacionado ao caso Braskem.
