O desastre provocado pela mineração de sal-gema em Maceió, a assistência à população em situação de rua e o atendimento em saúde mental estão entre os temas que não aparecem em todos os planos apresentados pelos quatro candidatos ao Governo de Alagoas.
Levantamento feito pelo CadaMinuto nos documentos registrados no DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que a Braskem é citada apenas no programa de Lenilda Luna (UP).
A população em situação de rua aparece somente nas propostas de JHC (PSDB), enquanto Renan Filho (MDB) e Márcio Jambo (Democrata) não apresentam medidas específicas para a saúde mental.
O levantamento considerou menções diretas e propostas relacionadas aos três temas. Expressões genéricas sobre assistência social, saúde, meio ambiente ou habitação não foram contabilizadas como políticas específicas.
A ausência nos documentos não significa necessariamente que os candidatos não pretendam atuar nessas áreas. Indica, porém, que não assumiram compromissos expressos sobre os temas nos programas entregues à Justiça Eleitoral, que servem como referência pública das prioridades de cada candidatura.
Braskem fica fora de três planos
Dos quatro candidatos, apenas Lenilda Luna menciona diretamente a Braskem e os impactos da mineração nos bairros de Maceió. Os programas de JHC, Renan Filho e Márcio Jambo não citam a empresa, a extração de sal-gema, o afundamento do solo ou medidas específicas para os moradores e territórios atingidos.
No documento da Unidade Popular, o desastre aparece em diferentes áreas. Ao tratar do planejamento urbano da Região Metropolitana de Maceió, Lenilda classifica o caso como “crime da Braskem” e inclui o risco geológico entre os problemas enfrentados pela capital.
O plano também propõe ações para preservar a memória dos bairros atingidos e recompor laços comunitários rompidos pelo deslocamento dos moradores. A medida prevê apoio a mestres da cultura, grupos e terreiros dispersos após a desocupação das áreas.
Outra proposta é a criação de uma Coordenadoria Estadual de Apoio às Vítimas da Mineração, que teria a função de centralizar o acolhimento e oferecer acompanhamento jurídico, psicológico e social.
Lenilda também propõe que o Estado atue para anular a transferência dos imóveis desocupados para a Braskem. A intenção apresentada no documento é transformar as áreas, após a estabilização do solo, em patrimônio público, com parques, memoriais e espaços de conservação.
Apesar de apresentar propostas para meio ambiente, habitação, drenagem, saneamento e planejamento urbano, o programa de JHC não relaciona essas políticas ao desastre da mineração. Os documentos de Renan Filho e Márcio Jambo também não estabelecem medidas voltadas especificamente aos bairros atingidos.
População de rua aparece em apenas um documento
A população em situação de rua é mencionada somente no plano de JHC. O grupo aparece entre os públicos prioritários de dois programas, mas não recebe um eixo exclusivo.
No Fome Nunca Mais, o candidato propõe ampliar restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos e ações de segurança alimentar. Entre os grupos prioritários estão famílias em insegurança alimentar grave, estudantes da rede pública e pessoas em situação de rua.
O tema também aparece no Alagoas Acolhe, programa que promete integrar assistência social, saúde, educação, habitação e trabalho. O documento prevê uma jornada única de acompanhamento para as famílias, com prioridade para pessoas em situação de rua, pessoas com deficiência, idosos e famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza.
Mesmo com essas referências, o plano não detalha metas específicas para acolhimento, moradia, documentação, reinserção profissional ou ampliação das equipes de abordagem social.
Os documentos de Renan Filho, Lenilda Luna e Márcio Jambo não mencionam expressamente a população em situação de rua. As propostas incluem ações gerais de assistência, habitação, emprego ou combate à fome, mas não identificam esse grupo como destinatário de uma política própria.
Saúde mental divide os candidatos
A saúde mental recebe propostas específicas nos programas de JHC e Lenilda Luna, mas não aparece nos documentos apresentados por Renan Filho e Márcio Jambo.
JHC propõe uma política estadual baseada na criação de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) regionais, equipes itinerantes e atendimento à crise. O plano também prevê urgência psiquiátrica, leitos de saúde mental em hospitais gerais e ampliação do atendimento especializado para crianças e adolescentes.
O programa inclui ainda apoio psicossocial às escolas, assistência às famílias cuidadoras, reinserção social pelo trabalho e ampliação da rede destinada ao tratamento da dependência química.
Lenilda defende a expansão da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com Caps III e IV funcionando 24 horas e ampliação dos Serviços Residenciais Terapêuticos para pessoas que deixaram internações prolongadas.
A candidata também propõe suspender o financiamento público de comunidades terapêuticas que utilizem isolamento e direcionar os recursos para a rede pública. Para os casos de crise aguda, o plano prevê leitos de curta permanência em hospitais públicos gerais.
Embora apresentem propostas para a saúde, Renan Filho e Márcio Jambo não estabelecem compromissos específicos sobre Caps, atendimento psicossocial, leitos psiquiátricos ou expansão da Raps.
Os quatro planos variam significativamente em extensão e profundidade. O documento de JHC possui 53 páginas; o de Lenilda Luna, 14; o de Márcio Jambo, sete; e o de Renan Filho, três.
Essa diferença ajuda a explicar o volume desigual de propostas, mas não elimina as ausências. Independentemente do tamanho, os documentos representam os compromissos apresentados pelas candidaturas à Justiça Eleitoral.
