No dia 14 de agosto de 2026, às 19h30, o Quilombo Poços do Lunga, em Taquarana, será palco do lançamento do documentário "Quilombo Lunga e as Batukadeiras de Cabo Verde", obra dirigida pelo fotógrafo documentarista Luis Eduardo Vaz. A exibição integra a programação da Festa do Meado de Agosto, celebração bicentenária que ocorre anualmente no quilombo e representa um dos momentos mais importantes do calendário cultural da comunidade.
O documentário registra o intercâmbio cultural entre os moradores do Quilombo Poços do Lunga e as Batukadeiras de Cabo Verde, promovendo um encontro entre a África contemporânea e os descendentes da Diáspora Atlântica que vivem no Brasil. A obra é uma bandeira de luta antirracista pela liberdade dos seres vivos que habitam todos os continentes do Planeta.
Um encontro de resistências e ancestralidade
Para o diretor, o filme nasceu de uma oportunidade única: "Ao termos tido a oportunidade de assistir a várias apresentações de Batuko em Cabo Verde a partir do contato com Naldinho Freire, fomentador e realizador de intercâmbios culturais entre o Brasil e Cabo Verde desde 2008, surgiu-nos a ideia de estabelecer um intercâmbio cultural entre o Quilombo Poços do Lunga e o Município de São Domingos, em Cabo Verde. Daí, aconteceu o convite para realizar um documentário deste encontro entre as habitantes da África contemporânea e as descendentes e remanescentes da Diáspora Atlântica que vivem no Lunga."
As Batukadeiras são originárias da Ilha de Santiago, em Cabo Verde, onde se localiza o Município de São Domingos, lugar onde a manifestação cultural tida como a mais africana de Cabo Verde acontece: o Batuko. "As Batucadeiras trouxeram de seu périplo transatlântico a mesma força libertária, o mesmo espírito destemido, que promove o sentido de fraternidade como marca registrada das grandes civilizações", destaca o diretor.
Quilombos: resistência histórica e permanência
O lançamento ocorre em um território carregado de história. Estima-se que cerca de 4 a 4,8 milhões de africanos foram trazidos à força para o Brasil durante o período da escravidão. Os quilombos surgiram como principal estratégia de resistência e liberdade no Brasil colonial e imperial, representando uma alternativa concreta ao sistema plantation, com a reconstrução de laços socioculturais, políticos e econômicos baseados nas ancestralidades africanas. Atualmente, Alagoas possui cerca de 71 a 78 comunidades remanescentes de quilombos certificadas institucionalmente, e o Quilombo Poços do Lunga foi o escolhido para sediar esse intercâmbio.
A força da partilha e da união
O documentário registra o intercâmbio de saberes dos mestres e mestras quilombolas, com práticas centenárias de canto e dança, compartilhamento da gastronomia, utilização de ervas medicinais, práticas religiosas e, principalmente, a troca de afetos entre os participantes. "Em todas essas práticas, percebe-se a presença de um espírito de partilha, de participação coletiva, de uma necessidade de entrosamento, da comunhão das existências e do papel da união, necessários para o avanço das sociedades humanas", ressalta Luis Eduardo Vaz.

Serviço
Lançamento do documentário "Quilombo Lunga e as Batukadeiras de Cabo Verde"
Data: 14 de agosto de 2026, às 19h30
Local: Quilombo Poços do Lunga – Taquarana/AL
Evento: Festa do Meado de Agosto
Direção: Luis Eduardo Vaz
Realização: Associação Cultural Popfuzz – Termo de Fomento nº 916914/2021, firmado entre o Ministério da Cultura do Brasil e a Associação Cultural Popfuzz
