Profissionais que estão em busca de uma oportunidade de emprego se tornaram alvo de um esquema que oferece falsos certificados atribuídos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os responsáveis pela fraude chegam a cobrar R$ 5 mil por documentos apresentados como uma forma de capacitação profissional.
Para dar aparência de autenticidade à oferta, materiais verdadeiros produzidos pela Anvisa são modificados. Guias e manuais que podem ser encontrados gratuitamente no site da Agência recebem alterações e passam a ser apresentados como certificados capazes de oferecer vantagens em processos seletivos.
As abordagens às vítimas são feitas por ligações telefônicas e mensagens pelo WhatsApp. Durante o contato, os responsáveis pelo esquema afirmam que as publicações representam uma capacitação especial concedida diretamente pela Anvisa.
Um dos casos identificados envolve o “Manual de Importação para Veículos que Operam no Transporte Internacional”. O documento original é público e gratuito, mas uma versão adulterada passou a apresentar a palavra “Certificado” ao lado da logomarca da Agência.
O material foi oferecido mediante pagamento a motoristas de carga interessados em vagas de emprego para o transporte de medicamentos e outros produtos sujeitos à vigilância sanitária.
Materiais da Anvisa são gratuitos
A Anvisa alerta que não comercializa materiais educativos, de orientação ou de atualização profissional. Notas técnicas, guias e manuais relacionados aos produtos e serviços regulados pela vigilância sanitária são disponibilizados gratuitamente nos canais oficiais.
A Agência também não credencia empresas ou agentes terceirizados para intermediar cursos de capacitação em seu nome. Cursos, apresentações on-line, transmissões ao vivo ou gravadas oferecidas pela instituição são gratuitos.
Quando uma atividade oficial prevê certificado, o documento também não possui custo e é encaminhado diretamente ao participante pelo e-mail informado durante a inscrição.
Denúncias
Casos envolvendo cobranças por materiais, cursos ou certificados apresentados como sendo da Anvisa devem ser denunciados à Polícia Civil. Quando a fraude ocorrer pela internet e não estiver vinculada a um local específico, a orientação é procurar uma delegacia especializada em crimes virtuais.
A situação também pode ser comunicada diretamente à Anvisa pelos canais oficiais de atendimento.
Além de estelionato, o esquema pode envolver uso indevido de marcas e falsidade ideológica, inclusive com a utilização ilegal de dados das vítimas.
Antes de contratar cursos de formação, treinamentos ou reciclagens profissionais, a orientação é verificar as credenciais da empresa e dos responsáveis pela capacitação, além de conferir se a atividade depende de autorização do Ministério da Educação (MEC) ou de regulamentação de órgãos específicos, como o Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
*Com assessoria
Imagem criada com IA
