Alagoas ficou de fora da primeira rodada de debates entre candidatos e candidatas a governo promovida pela Band, que reuniu concorrentes de 12 estados e do Distrito Federal. Para Alexandre Fleming, professor e jornalista, candidato ao Senado pela UP, a ausência não é um acidente de organização, mas resultado direto da indefinição de candidaturas provocada pelas oligarquias que disputam o controle da política alagoana.

"Alagoas não ficou de fora do debate por acaso. Ficou de fora porque um grupo de oligarquias ainda não decidiu, entre si, quem vai representar seus interesses. Enquanto isso, o povo alagoano é impedido de conhecer e comparar projetos diferentes para o estado", afirma Fleming.

O candidato lembra que desde 1990 Alagoas só decidiu a eleição para governador ou governadora em segundo turno em três ocasiões, em 1990, 2010 e 2022, o que evidencia o padrão de controle exercido pelas oligarquias sobre o processo eleitoral no estado.

"As oligarquias tentam vencer a eleição por W.O. Definem antes quem vai ser candidato a governador, quem vai para o Senado, quem fica com as vagas na Câmara Federal, e depois dividem o território alagoano entre si, sustentadas pelo controle das prefeituras e pelas formas mais tradicionais de coronelismo", diz.

Fleming também critica a prática de negociação de votos por parte de lideranças municipais. "Prefeitos e prefeitas não são donos dos votos de suas cidades. Nenhuma das 102 cidades alagoanas tem dono. Quem estiver negociando o voto do povo como se fosse proprietário dele pode tirar o cavalinho da chuva", declara o candidato.

Para o candidato da UP, as sucessivas retificações de atas de convenção e as trocas recorrentes de nomes nas chapas não são falhas isoladas, mas parte de um mesmo processo de negociação distante da população. "Isso é consequência de acordos fechados longe do povo, para decidir quem pode concorrer e quem precisa ser tirado do caminho", afirma.

Fleming aponta ainda o papel de parte da imprensa alagoana nesse cenário. "Não falo dos profissionais do jornalismo, que fazem seu trabalho com seriedade e ética, mas de veículos ligados às próprias oligarquias, que tentam invisibilizar candidaturas e decidir antecipadamente quem pode ganhar e quem deve perder", diz.

Para o candidato ao Senado, a ausência de Alagoas no debate da Band é sintoma de um modelo mais amplo. "É a democracia tutelada que tentam impor ao estado. Querem uma eleição sem confronto, sem contraditório e, se possível, sem concorrentes de verdade", afirma.

Fleming reforça o compromisso da candidatura de esquerda em romper com esse modelo. "Não estamos nesta eleição para participar dos acordos feitos por cima. Estamos na disputa para confrontar as oligarquias e provar que o voto do povo alagoano não tem dono", conclui.