O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que não pretende explorar politicamente a denúncia de estupro de vulnerável apresentada contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado nesta semana como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita após uma conversa com o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), na quarta-feira (5).

Segundo Lindbergh, a denúncia foi encaminhada às autoridades competentes e, a partir de agora, cabe à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF) conduzirem a apuração. O parlamentar disse ainda que prepara uma nota pública para esclarecer sua posição e reforçou que não pretende manter embates públicos sobre o caso.

Sóstenes confirmou que conversou com o petista, mas apresentou uma versão diferente sobre o conteúdo do diálogo. De acordo com o deputado do PL, Lindbergh teria sinalizado a intenção de fazer um gesto de "pacificação" por meio de uma nota à imprensa. Ainda segundo Sóstenes, o parlamentar do PT relatou que recebeu informações de uma jornalista sobre a suposta denúncia, mas que, posteriormente, não teria obtido provas que corroborassem as acusações.

Lindbergh, por sua vez, negou que a nota represente qualquer retratação. Segundo ele, o texto apenas reafirma que cumpriu seu dever ao encaminhar a denúncia às autoridades e que a investigação deve seguir seu curso normal. O deputado afirmou ainda que o comunicado não foi divulgado porque não houve tempo para revisá-lo durante compromissos de campanha no Rio de Janeiro.

Entenda o caso

A denúncia foi apresentada por Lindbergh Farias em março deste ano, após um confronto verbal com Alfredo Gaspar durante uma sessão da CPMI do INSS. O caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que encaminhou o processo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Até o momento, não houve decisão sobre o mérito da representação.

Em resposta, Alfredo Gaspar adotou uma série de medidas judiciais, incluindo ações contra Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke, representações por denunciação caluniosa, além de uma ação cautelar para produção antecipada de provas. O deputado também se colocou à disposição da Polícia Federal e solicitou a coleta de material genético para eventual comparação com o da vítima mencionada na denúncia.

 

*com CNN Brasil