A indefinição em torno da candidatura de JHC ao Governo de Alagoas gerou suspense durante a atribulada convenção do PSDB, realizada na quarta-feira (5). Marcado para acontecer à tarde, o encontro foi pausado e somente concluído no final da noite, depois de sucessivas conversas e articulações sobre as chapas do partido para deputado estadual e deputado federal, além das candidaturas ao Senado e ao governo.

O clima de incerteza foi ampliado pela ausência do próprio JHC, que não compareceu à convenção. A falta do principal nome do partido justamente no momento em que os candidatos buscavam segurança e clareza sobre o projeto eleitoral contribuiu para aumentar a inquietação e alimentar ainda mais as especulações nos bastidores.

Nos momentos de maior tensão, alguns candidatos a deputado estadual chegaram a ameaçar desistir. A entrada de nomes com maior potencial eleitoral também provocou receio em integrantes do grupo, preocupados com o aumento da concorrência interna. A chapa acabou sendo inscrita com candidatos competitivos, entre os quais Tenorinho Malta, Aldo Loureiro, João Catunda, professor Beto Brito, Lucas Barbosa, Ival Gaia, entre outros.

Francisco Sales, um dos principais interlocutores de JHC na composição da chapa, defendeu a união do grupo e apoiou a entrada de Lucas Barbosa. O argumento usado por ele foi de que a candidatura de Lucas, além de agregar votos próprios, poderá ampliar a votação do PSDB no Agreste e contribuir para o desempenho geral da legenda.

A avaliação, inicialmente rechaçada por alguns integrantes da chapa, terminou sendo acompanhada pelos demais, sob o entendimento de que o fortalecimento da votação geral do partido pode facilitar a eleição de mais candidatos. A expectativa inicial era de que o PSDB conquistasse entre duas e três vagas na Assembleia Legislativa. Com a composição concluída, passou-se a trabalhar também com a possibilidade de eleger quatro deputados estaduais.

Mesmo com a tensão inicial, os ânimos se acalmaram ao final da convenção e a expectativa do partido acabou se elevando. A formação da chapa tucana assumiu relevância ainda maior diante da perspectiva de uma eleição polarizada entre JHC e Renan Filho, candidato do MDB.

O MDB entra nessa corrida com ampla vantagem, reunindo uma chapa mais numerosa e com expectativa de conquistar a maioria das vagas da Casa de Tavares Bastos. Caso Renan Filho seja eleito, poderá iniciar o mandato com uma base parlamentar mais ampla e condições mais favoráveis de governabilidade.

Para JHC, o cenário tende a ser mais complexo. Mesmo em caso de vitória para o governo, ele poderá começar o mandato com uma bancada tucana menor e depender da construção de alianças com deputados eleitos por outras legendas. Por isso, cada cadeira conquistada pelo PSDB tornou-se estratégica, o que ajuda a explicar a tensão, as ameaças de desistência e as longas negociações que marcaram a convenção.