Uma estudante trans da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi vítima de constrangimento e violência verbal dentro de um Ônibus Rosa, veículo do sistema de transporte público de Maceió destinado à proteção das mulheres.
O episódio ocorreu na manhã desta segunda-feira (3) e foi denunciado publicamente pela jornalista e ativista Diana Justino.
De acordo com o relato de Diana Justino, o incidente teve início no momento em que a estudante embarcou no veículo. A motorista do coletivo solicitou a apresentação do documento de identificação da passageira e, ao constatar que se tratava de um documento retificado, exigiu que a jovem exibisse o registro em direção às câmeras do ônibus.
A situação escalou quando passageiras presentes no coletivo se juntaram aos questionamentos. A motorista então conduziu e parou o ônibus em frente à sede do 9º Distrito Policial (9º DP), na capital alagoana, onde solicitou a presença da autoridade policial.
Ao adentrar no veículo, o delegado não identificou de imediato quem seria a passageira envolvida, sendo necessário que a própria estudante se apresentasse. Durante o atendimento da ocorrência, passageiras organizaram um abaixo-assinado, reunindo mais de dez assinaturas, com o objetivo de exigir a retirada da jovem trans do transporte.
Em vídeo publicado nas redes sociais, a jornalista Diana Justino questionou a aplicação das diretrizes de segurança do projeto Ônibus Rosa, destacando a incoerência no atendimento a mulheres trans e travestis no transporte público.
"A proposta da criação desse projeto visa a seguridade da mulher dentro do transporte público em Maceió. Mas, afinal, que mulheres são essas?", indagou a jornalista. "Uma mulher trans ou travesti ter a sua identidade posta em jogo socialmente é crime. Principalmente se tratando de um local público como o Ônibus Rosa, que deveria ser um lugar de seguridade para a mulher".
Após a intervenção na delegacia, a estudante deixou o local.
