A cidade de Maceió passa a celebrar oficialmente, todos os anos, o Dia de Padre Cícero, instituído em 20 de julho por meio da lei municipal 7.680, sancionada em 18 de julho do ano passado. De autoria do vereador Allan Pierre (MDB), a proposta foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal e reconhece a importância histórica, cultural e religiosa de uma das figuras mais veneradas do Nordeste brasileiro.

A data visa preservar a memória e celebrar o legado de Padre Cícero, que faleceu em julho de 1934. Em Alagoas, milhares de romeiros celebram todos os anos a fé a devoção saindo do Estado em direção a Juazeiro do Norte/CE.

Além do reconhecimento oficial, a nova lei incentiva a realização de atividades culturais, educativas e religiosas voltadas à reflexão sobre sua trajetória e sua contribuição histórica para o Nordeste.

A iniciativa nasceu após o parlamentar anunciar a proposta durante uma missa na Paróquia de São Cícero do Juazeiro, no bairro do Feitosa. A partir da aprovação, a data passa a integrar oficialmente o calendário cívico da capital alagoana, reforçando o vínculo de milhares de fiéis maceioenses com o sacerdote conhecido carinhosamente como "Padim Ciço".

"O reconhecimento de Padre Cícero representa o respeito à fé do nosso povo e à história de milhões de nordestinos. Essa lei valoriza uma devoção que atravessa gerações e fortalece a identidade cultural e religiosa de Maceió", destacou Allan Pierre.

Considerado por milhões de devotos um símbolo de fé, esperança e acolhimento, Padre Cícero Romão Batista nasceu em 1844, na cidade do Crato, no Ceará. Após sua ordenação sacerdotal, estabeleceu-se em Juazeiro, então um pequeno povoado que, sob sua influência, transformou-se em um dos maiores centros de peregrinação religiosa do país.

A homenagem de Maceió também dialoga com outras iniciativas já existentes na capital. A Câmara Municipal instituiu anteriormente a Medalha Padre Cícero, honraria concedida anualmente a personalidades que se destacam pelos relevantes serviços prestados à promoção da fé e das ações religiosas na sociedade maceioense.

Com a criação do Dia de Padre Cícero, Maceió amplia o reconhecimento à herança espiritual e cultural deixada pelo sacerdote, consolidando uma tradição que há décadas faz parte da vida de milhares de famílias alagoanas e reafirmando a força da religiosidade popular como elemento da identidade nordestina.

Quem foi Padre Cícero

Sua história ganhou notoriedade em 1889, quando um episódio envolvendo a beata Maria de Araújo marcou profundamente a religiosidade popular. Durante uma comunhão, a hóstia teria se transformado em sangue, fato interpretado por muitos fiéis como um milagre. Mesmo enfrentando restrições impostas pela Igreja ao exercício do sacerdócio, Padre Cícero continuou sendo seguido por multidões, tornando-se uma referência espiritual e social para o povo sertanejo.

Além da missão religiosa, exerceu forte influência política e administrativa, chegando a ocupar o cargo de prefeito de Juazeiro e participando de importantes acontecimentos da história do Ceará. Sua atuação ficou marcada pela defesa dos mais humildes, especialmente daqueles que enfrentavam os efeitos da seca, da pobreza e das desigualdades sociais.

Processo de beatificação

Padre Cícero Romão Batista ou 'Padim Ciço', como é conhecido popularmente, teve o processo de beatificação autorizado pelo Vaticano há dois anos, quando Dom Magnus Henrique Lopes pediu autorização ao Papa Francisco, através de uma carta durante visita ao Vaticano, em maio de 2023.

O processo de beatificação pela Igreja Católica exige um milagre consistente, com laudos médicos e demais documentações necessárias. Além disso, o Vaticano também faz inicialmente um levantamento da biografia do candidato para verificar se há algum fator na biografia que possa impedir o processo.