A morte de uma recém-nascida, na semana passada, por complicações associadas à chikungunya em São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, chamou atenção para a possibilidade de transmissão da doença durante a gravidez, uma ocorrência considerada rara.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, a suspeita é de que a bebê tenha contraído a infecção ainda durante a gestação. A mãe havia sido diagnosticada com chikungunya na fase final da gravidez e ainda apresentava sintomas no momento do parto.
De acordo com o infectologista Fernando Maia, casos como esse reforçam a importância dos cuidados durante a gestação, principalmente porque doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue e chikungunya, podem ser transmitidas da mãe para o bebê, em um processo chamado transmissão vertical.
“Uma gestante que está com a doença pode passar a infecção para o filho através da placenta”, explicou o especialista.
Maia destacou que a principal recomendação para as grávidas é reforçar as medidas de prevenção contra a picada do mosquito, reduzindo o risco de infecção e de possíveis complicações para o bebê.
O caso aconteceu em meio ao avanço dos registros de arboviroses em Alagoas. Conforme o Panorama das Arboviroses divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), com dados de 1º de janeiro a 8 de julho de 2026, o estado contabilizou 3.042 casos prováveis de dengue e dois óbitos confirmados.
No mesmo período, foram registrados 910 casos prováveis de chikungunya, com uma morte confirmada, e 38 casos prováveis de zika, sem registro de óbitos.
Para Fernando Maia, os números mostram que, apesar da maior circulação de uma doença em determinados períodos, dengue, chikungunya e zika continuam presentes no estado.
“Todo ano há uma doença relacionada ao Aedes aegypti que aumenta em relação às outras. Este ano a gente teve um aumento grande de dengue, mas não deixou de ter chikungunya nem zika. É normal todos os anos haver um predomínio de uma dessas doenças, mas as outras não desaparecem”, afirmou.
Grupos de risco
Ao falar sobre a dengue, o especialista destacou que pessoas que já tiveram a doença anteriormente fazem parte dos grupos com maior risco de desenvolver formas graves.
Segundo ele, uma nova infecção por um sorotipo diferente pode aumentar a possibilidade de complicações.
“Quando acontece a segunda ou a terceira infecção por um sorotipo diferente do primeiro, a tendência é que a pessoa tenha maior risco de fazer uma forma grave, a chamada dengue com complicações, que antes era conhecida como dengue hemorrágica”, explicou.
Além desses pacientes, crianças pequenas, idosos, pessoas com doenças cardíacas, hipertensão, pacientes transplantados e pessoas com baixa imunidade também estão entre os grupos mais vulneráveis.
Como diferenciar dengue, chikungunya e zika?
Apesar de serem transmitidas pelo mesmo mosquito, dengue, chikungunya e zika apresentam sintomas diferentes. Segundo Fernando Maia, reconhecer os sinais pode ajudar na busca por atendimento médico.
A dengue costuma causar febre alta, dor de cabeça e dores intensas pelo corpo, principalmente musculares. Já a chikungunya também provoca febre e dor de cabeça, mas tem como principal característica as dores nas articulações, principalmente nas mãos e nos pés.
A zika, por outro lado, geralmente apresenta sintomas mais leves. O paciente pode ter febre baixa ou até não apresentar febre.
“A pessoa pode ter apenas o vermelho no corpo, geralmente que coça bastante”, explicou.
Ainda segundo o especialista, sintomas como febre alta, tontura, sangramento, alteração da consciência e vômitos devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Combate ao mosquito
Dengue, zika e chikungunya têm a mesma forma de transmissão: a picada do mosquito infectado. Por isso, segundo Fernando Maia, a principal estratégia de prevenção continua sendo o combate aos criadouros do Aedes aegypti.
“Se não tem mosquito, não tem a doença”, afirmou.
O infectologista ressaltou que eliminar recipientes com água parada dentro das casas e nas áreas próximas é uma das medidas mais eficazes para interromper o ciclo de transmissão.
“Cuidar da sua casa, cuidar da sua vizinhança, eliminar focos de mosquito que a pessoa consegue evitar são atitudes que ajudam a reduzir a proliferação do vetor e, consequentemente, a circulação das doenças”, finalizou.
*Estagiária sob supervisão da editoria
