“Eu estou aqui, não sei como é que estou aqui. Só o Senhor sabe. Ele matou meu filho, me matou também. A família toda está em pedaços. Levaram a minha vida com ele”, disse o policial da reserva Edilson Cardoso, pai de Peterson Ykaro Gomes Cardoso, de 6 anos, encontrado morto na noite de segunda-feira (6), no bairro Cidade Universitária, parte alta de Maceió.

Em entrevista ao programa Fique Alerta, da TV Pajuçara, Edilson relembrou os últimos momentos ao lado do filho e afirmou que acreditava que o menino estava seguro ao deixá-lo na casa de familiares.

O tio-avô da criança, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do crime, foi preso na manhã desta terça-feira (7), na região da Usina Utinga Leão, em Rio Largo, Região Metropolitana de Maceió. Segundo informações iniciais, moradores perceberam uma movimentação suspeita e acionaram as equipes policiais. O homem foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na capital, para prestar depoimento.

Segundo ele, Peterson passou todo o dia com ele e foi levado até a casa de familiares no fim da tarde. O pai contou que deixou o filho no local porque acreditava que ele estaria seguro e que a criança conhecia as pessoas que estavam na residência.

O pai afirmou que levou Peterson até a residência e permaneceu alguns minutos dentro do carro. De acordo com o relato, a casa ainda estava fechada quando um familiar apareceu e abriu a porta. Nesse momento, o menino teria reconhecido o tio-avô suspeito.

Conforme o relato, o suspeito era conhecido pela família e costumava frequentar a residência, apesar de viver em situação de rua. A relação de proximidade entre o homem e a criança é um dos pontos que devem ser esclarecidos pela investigação.

Após deixar o filho no local, Edilson voltou para casa. Horas depois, a mãe do menino percebeu que Peterson não estava na residência e a família iniciou as buscas pela região.

“Quando foi por volta das 20h, a mãe dele perguntou: ‘Cadê o Peter?’. Eu disse: ‘Ele está na casa do seu pai’. Ela respondeu: ‘Aqui não está não’”, disse.

Durante a procura, os familiares encontraram o corpo da criança por volta das 21h30, em um terreno baldio na região da Forene. A identificação foi feita pelos próprios parentes que participavam das buscas.

A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias da morte e aguarda os exames periciais do Instituto Médico Legal (IML) para apontar oficialmente a causa do óbito. Até o momento, a motivação do crime e uma possível participação de outras pessoas ainda não foram divulgadas.