O trabalho de identificação realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca foi decisivo para revelar a verdadeira identidade de um homem que morreu após ser apontado como suspeito do assassinato de um empresário no município.
A descoberta ocorreu após peritos identificarem irregularidades no documento apresentado junto ao corpo. Embora os dados cadastrais fossem legítimos e pertencessem a uma pessoa real, a fotografia havia sido substituída pela imagem do homem morto, levantando suspeitas durante os procedimentos de identificação.
Ao confrontar as informações do documento com registros disponíveis em bases oficiais, a equipe constatou que a identidade apresentada não correspondia ao cadáver. A partir desse momento, teve início uma investigação baseada em exames papiloscópicos para determinar quem era, de fato, o homem.
Durante as apurações, um prontuário encaminhado por equipes envolvidas na investigação chegou a ser considerado uma possível correspondência. No entanto, a hipótese foi descartada após a comparação das impressões digitais.
“Quando confrontamos as impressões digitais do cadáver com as do prontuário encaminhado para análise, percebemos que não se tratava da mesma pessoa. Foi essa divergência que nos mostrou que precisávamos seguir por outro caminho investigativo”, explicou o papiloscopista Juarez Lima.
Apesar de não confirmar a identidade, o material analisado forneceu pistas que ajudaram a direcionar as buscas. O avanço decisivo ocorreu quando informações encontradas em um processo judicial apontaram uma possível ligação do investigado com o estado de São Paulo.
Com base nessa informação, foi solicitado apoio para localizar registros que pudessem auxiliar na identificação. A busca resultou na obtenção de um prontuário paulista compatível com as características investigadas. A comparação das impressões digitais confirmou, de forma definitiva, a identidade do homem.
“Quando recebemos o prontuário paulista, conseguimos fazer a confrontação necessária e confirmar a identidade verdadeira. A papiloscopia tem justamente essa função: estabelecer a identidade de forma científica, independentemente das informações ou documentos encontrados com a pessoa”, afirmou Juarez Lima.
Segundo a Polícia Científica, o caso evidencia a importância dos exames de identificação humana e do cruzamento de informações entre diferentes bancos de dados. O uso de um documento adulterado poderia ter levado a conclusões equivocadas sobre a identidade do suspeito, mas a análise das impressões digitais permitiu esclarecer o caso com segurança técnica.
“O documento era autêntico e os dados pertenciam a uma pessoa real. O problema estava justamente na fotografia substituída. Sem a confirmação pelas impressões digitais, a identificação poderia ter seguido um caminho equivocado”, destacou o papiloscopista.
