A excelente matéria do jornalista Carlos Madeiro (UOL), sobre o relatório do inquérito da PF no caso Braskem, mostra com clareza que a empresa sabia que cometia crimes contra a população alagoana desde os anos de 1980.
As mensagens trocadas entre seus dirigentes, que buscavam o lucro a qualquer custo, inclusive de vidas humanas destruídas, ainda precisam de complemento para que a história seja escrita com a honestidade e profundidade que os maceioenses, em particular, exigem e merecem (a matéria está reproduzida aqui no Cadaminuto).
Eles sabiam o que faziam e continuaram a fazer, como se não houvesse amanhã - a são ser para suas contas bancárias.
Há um dirigente do IMA indiciado pela PF, mas é muito pouco, é apenas parte do esquema que beneficiou a empresa, com rara capacidade de corromper por aqui.
Os maiores cúmplices da mineradora criminosa se mantêm no poder local, gozando dos prazeres que a grana e o mando oferecem. Tudo bem: também gozando da nossa cara de otário, com a infinita capacidade de esquecer o mal que eles nos fizeram, como eles apostam sempre.
Quantos deles não se beneficiaram, e nós sabemos bem disso, do financiamento da Salgema, inicialmente, e depois da Braskem para suas campanhas de “engana os bestas”, que mantiveram figuras tão nefastas no comando da política local?
Teríamos mais argumentos e nomes, agora, se o ministro Toffoli, do alto da sua autoridade, não tivesse anulado todas as delações da lava-jato, uma operação corrompida, é verdade, por um juiz parcial e desprezível - mas o trabalho da PF não poderia ter sido jogado na lata do lixo, como se nada tivesse acontecido e os crimes não tivessem sido cometidos e os criminosos, conhecidos.
A ordem do integrante do STF, que virou lei, foi: - Esqueçam o que vocês viram e sabem.
Nós alagoanos, entretanto, não temos o direto de esquecer o papel dessa gente ruim nos crimes cometidos pela Braskem.
Até o cinismo tem limite, e que este seja parte da história e do caráter deles – não do nosso.