As ações da petroquímica Braskem registraram forte queda no pregão desta terça-feira (16), refletindo a reação do mercado financeiro à decisão da Justiça Federal em Alagoas, que tornou a empresa e ex-dirigentes réus em uma ação penal.

O processo apura as responsabilidades criminais pelo desastre socioambiental provocado pela exploração de sal-gema em Maceió.

Por volta das 13h35, os papéis preferenciais da companhia (BRKM5) acumulavam uma desvalorização de 13,73%, sendo negociados a R$ 8,04. 

No pior momento do dia, a cotação intradiária chegou a atingir R$ 7,93, o menor valor registrado desde janeiro deste ano, liderando as perdas do índice Ibovespa.

A oscilação negativa ocorreu logo após vir a público a decisão do juiz federal substituto da 1ª Vara Federal em Alagoas, que aceitou parcialmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF). 

A peça acusatória aponta crimes relacionados aos danos causados pela atividade minerária nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol, que resultaram no afundamento do solo e no deslocamento forçado de milhares de moradores.

Na denúncia oferecida pelo MPF, são atribuídos à Braskem e aos antigos executivos crimes como poluição ambiental qualificada, extração irregular de recursos minerais, dano qualificado ao patrimônio e a elaboração ou apresentação de estudos ambientais considerados falsos ou enganosos aos órgãos fiscalizadores.

Em nota oficial, a Braskem informou que apresentará sua manifestação formal diretamente nos autos do processo judicial. 

A companhia declarou ainda que sempre colaborou com as investigações fornecendo esclarecimentos às autoridades, reiterando que atuou em conformidade com as normas vigentes e que mantém o cumprimento dos acordos firmados em Alagoas.