O amor está no ar em Alagoas. Casais já ocupam as ruas para celebrar o Dia dos Namorados, comemorado nesta sexta-feira (12). Porém, nem todo mundo quer ser atingido pela flecha do cupido.
Com a formação de novas gerações, a ideia de ter um relacionamento deixou de ser vista como um objetivo de vida para se tornar uma escolha cercada de desafios, expectativas e questionamentos.
Uma pesquisa realizada pelo Institute for Family Studies e pelo Wheatley Institute, da Universidade Brigham Young, apontou que apenas 30% dos jovens entrevistados estavam em um relacionamento amoroso.
Entre os demais, muitos demonstravam interesse em namorar, mas apenas uma parcela se sentia confiante para abordar alguém ou reconstruir a vida afetiva após experiências amorosas frustradas.
A perspectiva da juventude sobre os relacionamentos
Para Bruna Pereira, estudante da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a idealização do casamento ou de um relacionamento nunca foi algo indispensável para sua realização pessoal.
Segundo a jovem, as relações atuais são construídas com mais liberdade e autonomia, mesmo que isso não resulte necessariamente em um namoro.
“As pessoas estão mais claras sobre quais são os seus limites e desejos, e isso influencia na decisão de muitas delas não terem um relacionamento”, comenta.
Atualmente, a graduanda de Serviço Social está noiva, mas afirma que a relação passou por diversas etapas até chegar ao compromisso atual.
O casal começou a se aproximar e, em apenas dois meses, assumiu um relacionamento. Hoje, Bruna avalia que a decisão foi precipitada e fruto da imaturidade de ambos, situação que acabou resultando em um término.
A decisão foi tomada porque, segundo ela, aquele não era o momento ideal para viver um relacionamento. Além disso, a falta de maturidade e as diferenças de realidade também pesaram na escolha.
“Na época eu não o amava, só tinha carinho por ele. Não foi um término conflituoso, sem brigas. Simplesmente não era o momento certo para aquela relação”, destaca.
Para Victor Gabriel, noivo da estudante, a falta de maturidade comprometeu a construção da relação.
“Parecia que outras pessoas namoravam, enquanto nós tínhamos uma espécie de coleguismo com benefícios. Eu me acomodei”, relata.
Anos depois, Bruna Pereira e Victor Gabriel retomaram a história que haviam interrompido, mas sob uma nova perspectiva.
O reencontro trouxe não apenas uma aliança de noivado, mas também uma nova visão sobre a vida a dois: mais maturidade, conexão e companheirismo nos momentos bons e difíceis.
Victor acredita que a juventude atual desenvolveu uma maior consciência emocional sobre si mesma, mas ainda encontra dificuldades para compreender os sentimentos do outro, o que pode gerar conflitos e distanciamentos.
“A falta de um diálogo construtivo leva a um relacionamento cansativo e problemático. Muitos relacionamentos estáveis de hoje são de casais que passaram por dificuldades e amadureceram juntos”, afirma.
A visão da psicologia sobre o novo olhar para o amor
As mudanças na forma como os jovens enxergam o amor e os relacionamentos também são objeto de análise de especialistas, como a psicóloga Maria Carolina Guerra.
Segundo ela, a menor disposição para assumir compromissos amorosos está relacionada a fatores emocionais, sociais e econômicos. A nova geração valoriza cada vez mais a autonomia, a liberdade individual e o desenvolvimento pessoal.
A especialista destaca ainda que crescer em famílias marcadas por conflitos, traições, desgastes emocionais ou falta de diálogo saudável pode influenciar a forma como algumas pessoas encaram os relacionamentos.
“Isso faz com que algumas pessoas associem os relacionamentos ao sofrimento, à perda de liberdade ou à instabilidade emocional”, explica.
De acordo com Carolina, experiências familiares conturbadas podem contribuir para o medo da intimidade e para a dificuldade de acreditar em relações saudáveis.
Ela ressalta, no entanto, que esse histórico não determina o futuro afetivo de ninguém, especialmente entre aqueles que investem em autoconhecimento e terapia para evitar a repetição desses padrões.
Outro fator apontado pela psicóloga é a mudança cultural. Se antes o casamento era visto como uma obrigação social, hoje existem diferentes projetos de vida socialmente aceitos.
“Hoje existe uma maior consciência sobre saúde mental, limites e qualidade emocional nas relações. Por isso, muitas pessoas preferem ficar sozinhas a permanecer em relações insatisfatórias ou abusivas”, afirma.
Por outro lado, a especialista alerta que esse posicionamento também pode ser motivado por medos, traumas ou descrença excessiva nos vínculos afetivos, levando ao isolamento emocional e à dificuldade de estabelecer conexões profundas.
As redes sociais também influenciam a construção de expectativas irreais sobre os relacionamentos. Nas plataformas digitais, os usuários costumam acompanhar apenas os momentos positivos da vida dos casais.
Viagens, presentes e declarações de amor frequentemente ganham destaque, enquanto conflitos, desafios e dificuldades permanecem fora das publicações.
“Quando encontram os conflitos naturais de qualquer relação, muitas pessoas interpretam isso como sinal de fracasso ou incompatibilidade. Quando, na verdade, os conflitos fazem parte da construção da intimidade e da maturidade afetiva”, conclui.
*Estagiária sob supervisão da editoria
