Pela segunda eleição consecutiva, a Unidade Popular (UP) aparece como a única legenda do campo da esquerda socialista a apresentar candidaturas majoritárias em Alagoas. Em 2024, na disputa pela Prefeitura de Maceió, o partido lançou a jornalista Lenilda Luna como candidata e terminou o pleito em terceiro lugar.

Agora, no cenário eleitoral de 2026, a UP volta a se colocar no debate majoritário estadual, com as pré-candidaturas da Lenilda ao Governo de Alagoas e do professor e jornalista Alexandre Fleming ao Senado Federal.

O movimento chama atenção porque Alagoas conta com cerca de dez partidos de esquerda, centro-esquerda e esquerda socialista legalmente registrados e com atuação política. Ainda assim, até o momento, a UP é a única organização desse campo que apresenta pré-candidaturas próprias para disputar os principais cargos em jogo no estado.

Fleming destacou a importância da esquerda disputar o protagonismo político em Alagoas. “Em ano de Copa, vale lembrar que time que não joga, não tem torcida. A esquerda precisa entrar em campo com programa e lado. Defendemos a taxação dos super-ricos, o fim da escala 6x1, emprego, moradia, saneamento, educação e saúde públicas, combate ao feminicídio, ao racismo e às desigualdades que marcam Alagoas”, pontuou o pré-candidato.

Ainda segundo Fleming, a UP tem assumido “com coragem e responsabilidade” a tarefa de representar a esquerda socialista no atual momento, buscando manter vivas as pautas históricas da esquerda em Alagoas. Ele afirma lamentar a ausência de outras pré-candidaturas majoritárias do campo progressista e de esquerda, mas ressalta que não cabe à UP fazer um balanço ou um diagnóstico crítico sobre os motivos que levaram os demais partidos a não apresentarem candidaturas próprias.

Ainda assim, ele avalia que a ausência dessas candidaturas deve provocar reflexão no conjunto da esquerda alagoana. Para ele, em muitos casos, alianças com partidos de centro-direita acabam impondo limites às organizações progressistas com as quais mantêm alianças, dificultando ou impedindo a apresentação de nomes próprios e alternativas programáticas. Na avaliação do pré-candidato, esse processo coloca parte da esquerda em uma condição de perda de autonomia e redução de independência diante dos grupos que historicamente comandam o estado.

A legenda também se posiciona como oposição ao atual governo estadual e afirma não manter alinhamento politico com os grupos políticos que comandam Alagoas. A crítica da UP se estende ao MDB, ao PSDB e às forças de centro-direita, direita e extrema-direita que compõem o campo conservador no estado.

“A presença da UP na disputa ocorre em um cenário marcado pela força de grupos políticos tradicionais, famílias com longa presença no poder, estruturas territoriais consolidadas e grande capacidade econômica. Mesmo diante desse quadro, o partido busca ampliar seu espaço político e se consolidar como uma referência eleitoral e programática da esquerda socialista em Alagoas”, acrescentou.

A estratégia da legenda tem sido ocupar o debate público com candidaturas próprias, defendendo uma alternativa política diante das forças que historicamente polarizam as disputas em Alagoas.