O ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas, Gilmar Galvão da Silva, vai a júri popular na manhã desta quinta-feira (11), no Fórum do Barro Duro, em Maceió, acusado pelo assassinato do sargento Osmário Dias Lima Júnior, em dezembro de 1999.
O julgamento foi confirmado após o juiz Geraldo Cavalcante Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital, negar um pedido de adiamento protocolado pela defesa e rejeitar a inserção de mais de 2.300 páginas de documentos juntadas de última hora pela assistência de acusação.
Na decisão assinada na tarde desta quarta-feira (10), o magistrado Geraldo Cavalcante Amorim determinou o desentranhamento de 2.370 páginas anexadas aos autos pela assistência de acusação a apenas três dias do julgamento.
Os documentos referiam-se a outro processo criminal contra o réu. O juiz classificou a iniciativa como "notadamente impertinente" e "lastimavelmente protelatória".
A juntada massiva de documentos fez com que a defesa do ex-cabo pedisse o adiamento do júri, alegando cerceamento de defesa por ter sido intimada das novas peças apenas na terça-feira (9).
Ao rejeitar os documentos e manter a data do julgamento, o magistrado destacou que um novo adiamento causaria graves prejuízos financeiros ao Estado e penalizaria os familiares, servidores e testemunhas de um crime que aguarda desfecho há mais de duas décadas.
O crime e a investigação
De acordo com os autos do processo, no dia 17 de dezembro de 1999, o sargento Osmário foi abordado e sequestrado por dois homens armados em frente à sua residência, localizada no Conjunto José Tenório, na Serraria, na presença de sua esposa.
Os suspeitos obrigaram a vítima a entrar em seu próprio veículo, um modelo Volkswagen Parati, e fugiram do local.
Após três dias de buscas que envolveram cerca de 120 agentes das polícias Civil e Militar, além de voluntários, o corpo do sargento foi localizado por trabalhadores rurais em um canavial da Fazenda Horizonte, na zona rural do município de Pilar.
Os exames periciais constataram que a vítima foi morta com um disparo de espingarda calibre 12 na região da cabeça, sem possibilidade de defesa.
As investigações da época apontaram que o homicídio foi praticado por integrantes de um grupo de extermínio que atuava em Alagoas entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000.
A acusação que será sustentada em plenário nesta quinta-feira capitula o crime como homicídio qualificado por meio de sequestro e sem chance de defesa para a vítima.
