Há quase seis meses, desde janeiro deste ano, Dona Sebastiana dos Santos, de 90 anos, não sabe o que é uma noite tranquila de sono. Esse é o tempo que o Governo do Estado deixou de fornecer a medicação de uso contínuo que ela necessita, para controle da asma grave.
Ao lado da filha, Albanir Pereira, a idosa procurou a reportagem para denunciar a situação.
Segundo o médico que a acompanha, o pneumologista Aldo Agra, com a interrupção do fornecimento do medicamento, a doença que estava controlada piorou consideravelmente, a ponto de impedir que a paciente durma à noite.
Uma dose da medicação, Mepolizumabe, suficiente apenas para um mês de tratamento, custa R$ 14 mil e deveria ser fornecida pela Farmácia de Alto Custo ou Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), vinculado à Secretaria Estadual da Saúde (Sesau).

“Buscamos a Defensoria Pública no ano passado, depois que a minha mãe ficou 30 dias internada, sendo dez deles intubada, em junho, e conseguimos receber a medicação entre agosto e dezembro, mas desde janeiro deste ano a informação que temos é que o remédio está em falta”, explicou Albanir.
O pneumologista, que é também presidente da Associação Alagoana de Doenças do Tórax (AADT), forneceu um novo relatório médico à paciente, para que ela retorne à Defensoria Pública para, mais uma vez, acionar a Justiça a fim de retomar o tratamento.

Falta de medicamentos
Aldo Agra contou que, no início de maio, a AADT encaminhou um ofício à Sesau, denunciando e solicitando providências urgentes quanto à falta de medicamentos de alto custo essenciais no Estado de Alagoas.
“Há aproximadamente um ano, pacientes que dependem de medicamentos como ambrisentana, indicada para Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP), e nintedanibe, indicado para fibrose pulmonar e outras doenças pulmonares fibrosantes, encontram-se sem acesso regular a esses fármacos na rede pública estadual. Desde o início do ano, há desabastecimento de umeclidínio + vilanterol, medicação essencial no tratamento de pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) grave. Após breve regularização, omalizumabe e mepolizumabe voltaram a faltar, comprometendo o tratamento de pacientes com asma grave”, destaca trecho do documento, assinado pelo presidente da AADT e pela vice-presidente, Maria de Fátima Alécio Mota.
“A descontinuidade no fornecimento tem causado prejuízos graves à saúde dos pacientes, com piora clínica significativa, aumento de internações e risco concreto de óbito, em decorrência da interrupção ou inadequação terapêutica. Trata-se de medicamentos indispensáveis, previstos em protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas, cuja ausência configura falha assistencial grave e afronta ao direito constitucional à saúde”, ressaltou o pneumologista.
A reportagem procurou a Sesau, por meio de sua assessoria de Comunicação, que enviou a seguinte nota:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Fornecimento do Medicamento Mepolizumabe no Ceaf
O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), antiga Farmex, esclarece que o processo licitatório para a aquisição do medicamento Mepolizumabe já foi concluido e, agora, serão emitidas as Notas de Empenho e Fornecimento, para que a empresa vencedora do certame faça a entrega do medicamento ao Estado.
Com isso, em breve, o medicamento voltará a ser disponibilizado aos pacientes já cadastrados no Ceaf.
