Começou nesta sexta-feira (22), em Palmeira dos Índios, o processo de pesquisa técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para elaboração do relatório que poderá garantir o tombamento constitucional do Quilombo da Tabacaria, um reconhecimento histórico inédito para Alagoas.

 

A prefeita Tia Júlia determinou o acompanhamento integral da ação e enviou ao quilombo representantes da gestão municipal, entre eles o secretário de Comunicação, Henrique Romeiro, o secretário de Planejamento, Marcos Rêgo, a arquiteta e urbanista do município, Júlia Grasiella, além de técnicos da Secretaria Municipal de Cultura, para auxiliar e acompanhar os trabalhos do historiador do Iphan, Maicon Fernando Marcante.

 

Durante todo o dia, o historiador do Iphan, Maicon Marcante realiza uma oficina participativa com moradores da comunidade, ouvindo jovens e idosos, registrando histórias, identificando lugares históricos, referências culturais, manifestações tradicionais, como a Capoeira e o Reisado, além de realizar gravações, fotografias e mapeamento do território quilombola.

 

Segundo o historiador, esta etapa é essencial para dar continuidade ao processo de tombamento. “Hoje é o dia de fazer essa oficina, conversar sobre os lugares históricos, as antigas referências, falar com os mais velhos e registrar a memória da comunidade. É isso que a gente precisa para dar sequência ao tombamento”, explicou.

 

Maicon destacou ainda que Alagoas já possui como referência de patrimônio de matriz africana a Serra da Barriga, ligada ao Quilombo dos Palmares, mas que o tombamento constitucional de um quilombo poderá ocorrer pela primeira vez no estado.

 

“O que estamos fazendo aqui é consequência da Constituição Federal de 1988. Recentemente aconteceu o primeiro tombamento constitucional de um Quilombo no Brasil, no Mato Grosso, e agora estamos avançando no Quilombo da Tabacaria. Nosso esforço é para que esse reconhecimento aconteça ainda em 2026”, afirmou.

 

Se aprovado, o Quilombo da Tabacaria poderá entrar para a história como a primeira comunidade quilombola de Alagoas a receber o tombamento constitucional, fortalecendo a preservação da memória, da cultura e da ancestralidade do povo quilombola.