O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) criticou a nova parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e o Hospital NOT (Núcleo de Ortopedia e Traumatologia), empresa que pertenceu ao atual secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, e que terá o credenciamento e a habilitação analisados na próxima reunião da Comissão Intergestores Bipartite de Alagoas (CIB/AL), marcada para esta segunda-feira (11). Para o parlamentar, o caso escancara um “ciclo vicioso” envolvendo agentes públicos e contratos milionários com recursos da saúde em Alagoas.
“O estado de Alagoas não é para amadores”, disparou Cabo Bebeto ao comentar a relação entre a clínica e o secretário estadual de Saúde, lembrando que fatos envolvendo a empresa levantam questionamentos graves sobre a condução dos contratos públicos na saúde estadual.
Numa espécie de 'linha do tempo', Cabo Bebeto pontuou que Gustavo Pontes assumiu a Secretaria de Estado da Saúde em 16 de maio de 2023, quando ainda integrava o quadro societário da NOT. Apenas em 1º de junho daquele ano o então secretário deixou oficialmente a sociedade da empresa.
Onze dias depois, em 12 de junho de 2023, a clínica encaminhou à própria Sesau um Plano Operativo para participação no programa Mais Saúde Especialidades, ofertando serviços no valor de R$ 500 mil mensais. Em 5 de julho do mesmo ano, a prestação de serviço foi autorizada e a empresa passou a ser credenciada pelo Estado.
De acordo com Cabo Bebeto, até outubro de 2024 a gestão estadual já havia pago mais de R$ 11 milhões à clínica, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência de Alagoas.
O parlamentar também relembrou a Operação “Estágio IV”, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de dezembro de 2025, que apura desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Secretaria de Estado da Saúde. Na ocasião, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão e Gustavo Pontes acabou afastado do cargo por 180 dias.
Mesmo após a investigação, Gustavo Pontes retornou ao comando da Sesau em fevereiro de 2026, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Diante desses fatos, Cabo Bebeto ressaltou que se trata de "um ciclo vicioso entre CPF's e CNPJ's onde muito dinheiro circula e sempre, quem sai no prejuízo é o Alagoano ’A NOT’.
