A situação de uma idosa de 76 anos internada há mais de um mês em um hospital particular de Maceió, conveniado a um plano de assistência médica, tem gerado desespero aos familiares, denúncias de suposta negligência e uma batalha judicial para impedir a retirada da paciente da unidade hospitalar.

Segundo relatos da família e do advogado que acompanha o caso, a paciente Maria Izabel, estaria em estado delicado de saúde, fazendo uso de oxigênio e apresentando limitações severas, além de hematomas decorrentes do tratamento medicamentoso para trombose. Mesmo assim, conforme os familiares, o Hospital Vida e o plano de assistência estariam pressionando pela chamada “desospitalização”, com transferência da idosa para atendimento domiciliar em regime de home care.

As filhas afirmam que não concordaram com a alta e alegam que não possuem condições de garantir, em casa, o suporte necessário para socorrer a mãe em caso de agravamento do quadro clínico.

“A minha mãe não está sendo assistida. Ela continua com a barriga inchada, sentindo dores, precisando de exames e mesmo assim dizem que ela está bem para sair. Estamos desesperados”, relatou uma das filhas.

De acordo com os áudios obtidos pela reportagem, familiares questionam a ausência de exames considerados urgentes, problemas em equipamentos de monitoramento e até falhas na assistência diária prestada à paciente.

Em uma das gravações, uma familiar relata que um monitor utilizado pela paciente estaria quebrado. “O aparelho não monitora nada. Uma hora funciona, outra não. Até uma médica reconheceu que ele estava com defeito”, afirmou.

Os relatos também apontam dificuldades para realização de exames e suposta redução na assistência hospitalar. Segundo a família, acompanhantes passaram a enfrentar restrições relacionadas à alimentação e à permanência no hospital.

O advogado da família informou que ingressou com ação judicial e conseguiu uma liminar obrigando a continuidade do atendimento hospitalar da idosa. Segundo ele, o plano de assistência médica inicialmente teria alegado limitações contratuais de cobertura.

“A família não quer indenização nem repercussão. O objetivo sempre foi garantir o tratamento dela. O medo agora é que ela receba uma alta sem condições clínicas adequadas e fique desassistida”, afirmou.

Ainda segundo o advogado, um boletim de ocorrência foi registrado e novas medidas podem ser levadas à Delegacia do Idoso e ao Ministério Público.

Documentos anexados ao processo mostram que o contrato firmado com a assistência médica estabelece limites de cobertura hospitalar e de UTI, além de cláusulas de ressarcimento relacionadas a despesas hospitalares.

Em outro trecho do processo, consta que a empresa responsável pelo serviço afirma não se tratar de operadora de plano de saúde, mas de um “cartão de benefícios” com coberturas específicas e reduzidas.

Já em conversas gravadas pela família, representantes ligados ao hospital e ao plano afirmam que a paciente estaria em processo de desospitalização para receber cuidados paliativos e assistência domiciliar, com fornecimento de oxigênio, monitoramento e visitas médicas.

Nas gravações, os representantes sustentam que a mudança para casa teria como objetivo proporcionar “mais conforto, dignidade e qualidade de vida” à paciente.

Apesar disso, a família afirma que não participou da decisão sobre a transferência e contesta a informação registrada em prontuário de que a alta teria ocorrido em consenso com os parentes.

“Ela pode piorar a qualquer momento. Em casa, a gente não vai conseguir socorrer ela a tempo”, disse uma das filhas.

O caso segue sendo acompanhado judicialmente. Até o fechamento desta matéria, a família aguardava definições sobre a manutenção da internação e a realização de novos exames solicitados pela médica responsável pela paciente.

A reportagem deixa espaço aberto para manifestação do hospital e da assistência médica citados na matéria.