O CM Cast publicou nesta quinta-feira (30) um novo episódio em que os jornalistas Carlos Melo, diretor do Grupo CadaMinuto, e Ricardo Mota debatem quem podem se sujar mais durante as eleições ao governo de Alagoas, na disputa entre o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), e o senador Renan Filho (MDB).

Durante o programa, os comentaristas analisam o cenário eleitoral e os fatores que podem pesar contra os dois principais nomes da disputa. Para Mota, o confronto entre os dois candidatos atende a uma expectativa democrática.

“A gente queria que a população tivesse a oportunidade de escolher entre dois grupos. E hoje o cenário está posto: Renan Filho e JHC devem ser candidatos”, afirmou. Além disso, pondera, no entanto, que o resultado é imprevisível, já que ambos chegam com experiência administrativa e capital político consolidado.

Os comentaristas destacam que tanto JHC quanto Renan Filho carregam a imagem de gestores. “Os dois se apresentam como tocadores de obras — e são”, disse Mota, acrescentando que há uma avaliação positiva das gestões, com o prefeito mais forte na capital e o senador com base no interior.

Ainda assim, Ricardo observa que “o problema é o entorno”, referindo-se aos grupos políticos que orbitam os candidatos. Segundo ele, esses grupos podem influenciar negativamente o nível da campanha.

O jornalista afirma que há práticas antigas da política que ainda persistem. “Existe uma crença de que ninguém vence de forma limpa”, disse, alertando para o risco de uso de desinformação e até de inteligência artificial para ataques durante a eleição.

Outro ponto levantado é a fragilidade institucional no controle do processo eleitoral. Para o jornalista, a Justiça Eleitoral enfrenta limitações para coibir abusos. “Depois que a informação circula, já era”, afirmou, ao defender que a responsabilidade por uma disputa limpa deve partir dos próprios candidatos.

Por fim, o debate também abordou o perfil político dos dois nomes. Mota avalia que há foco excessivo em obras e gestão, com pouca ênfase em pautas sociais. “Você não ouve falar de trabalhador, salário. É obra, obra, obra”, criticou.

Ainda assim, reconhece que ambos têm preparo técnico, mas ressalta: “assumem também a responsabilidade de fazer uma eleição limpa — e isso, com o entorno que têm, será um desafio”.