O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas informou, nesta quarta-feira (29), que vai oficiar o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), para obter informações atualizadas sobre os repasses financeiros ao Hospital Veredas, em Maceió. A iniciativa busca subsidiar a atuação institucional diante dos atrasos e não descarta a adoção de medidas judiciais, como eventual bloqueio de valores, em caso de descumprimento das obrigações.
A decisão ocorre após reunião realizada na última segunda-feira (27) entre procuradoras da República e representantes dos trabalhadores da unidade hospitalar. No encontro, foram discutidos os impactos dos atrasos salariais enfrentados pelos funcionários, atribuídos, segundo o MPF, à demora no repasse de recursos por parte do Estado. Também esteve em pauta o andamento do processo de reestruturação do hospital.

De acordo com os trabalhadores, o Estado acumula cerca de R$ 10 milhões em valores pendentes referentes a serviços já realizados. Outros R$ 3 milhões teriam sido repassados para o pagamento da folha salarial de março de 2026. A categoria cobra a regularização dos pagamentos, incluindo pendências de competências de 2025, como condição para encerrar a paralisação parcial das atividades.
Atualmente, profissionais da enfermagem atuam em escala emergencial, cenário que, segundo os relatos, tem provocado sobrecarga física e mental, além de comprometer o atendimento aos pacientes. Diante disso, os trabalhadores solicitaram o apoio do MPF nas negociações com o governo estadual, com o objetivo de garantir o cumprimento dos acordos firmados e restabelecer a normalidade dos serviços.
A atuação do MPF integra o acompanhamento do cumprimento de sentença em ação civil pública que trata da intervenção judicial no hospital, bem como das obrigações previstas em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O trabalho é conduzido pelas procuradoras da República Júlia Cadete e Roberta Lima Barbosa Bomfim, com participação do procurador regional dos direitos do cidadão, Bruno Lamenha.
A reunião faz parte de uma série de agendas promovidas pelo MPF com diferentes envolvidos na gestão da unidade, incluindo a atual administração interventora, que já apresentou um plano de reestruturação. O documento prevê medidas de reorganização administrativa, equilíbrio financeiro e aprimoramento dos processos internos.
No acompanhamento do caso, o MPF tem reforçado a importância da retomada gradual e responsável das atividades, como estratégia para recuperação financeira do hospital, manutenção dos serviços à população e preservação dos empregos.
*com MPF
