Os números mais recentes sobre o mercado de trabalho em Alagoas mostram um cenário de avanços, mas também de desigualdade. Apesar do aumento na presença feminina, especialmente de mulheres negras, a diferença salarial entre homens e mulheres ainda é uma realidade significativa.

Em dezembro de 2025, o estado tinha 467 empresas com mais de 100 funcionários, somando cerca de 169 mil vínculos empregatícios. Desse total, pouco mais de 52 mil eram ocupados por mulheres, sendo a maioria delas negras. Entre os homens, eram quase 117 mil trabalhadores, também com predominância de pessoas negras.

Os dados fazem parte do Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo governo federal, que aponta crescimento importante na participação feminina no mercado formal nos últimos anos. No Brasil, por exemplo, o número de mulheres negras empregadas em grandes empresas cresceu 29% entre 2023 e 2025.

Mas, apesar desse avanço, o salário ainda não acompanha na mesma proporção. Em Alagoas, as mulheres recebem, em média, R$ 2.502, enquanto os homens ganham cerca de R$ 2.819. A diferença fica ainda mais evidente quando se observa o recorte racial: mulheres negras têm renda média menor que mulheres não negras e também que homens, independentemente da cor.

No cenário nacional, a desigualdade também aparece: mulheres ganham, em média, mais de 20% a menos que os homens no setor privado.

Outro ponto que chama atenção é que poucas empresas adotam políticas específicas de incentivo à contratação de mulheres. Em Alagoas, menos de um quarto dos estabelecimentos com mais de 100 funcionários têm esse tipo de iniciativa.

Mesmo com mais mulheres trabalhando e ocupando espaços, inclusive em cargos de liderança, o levantamento deixa claro que ainda há um caminho longo pela frente, não só para garantir igualdade salarial, mas também melhores condições e oportunidades dentro do mercado de trabalho.

 

*com informações do MTE

Foto: Magnific.com