Alagoas figura entre os estados brasileiros com os menores índices de desigualdade salarial entre homens e mulheres, ocupando posição de destaque no 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios.
Segundo os dados divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a proporção salarial no estado é de 88,8%, o que o coloca à frente de grandes centros econômicos e acima da média nacional na busca pela paridade de rendimentos em empresas com mais de 100 funcionários.
O desempenho alagoano contrasta com o cenário geral do Brasil, onde a disparidade permanece estagnada. Enquanto o emprego feminino cresceu 11% no país — impulsionado principalmente pela inserção de mulheres negras no mercado (+29%) — a diferença salarial média nacional é de 21,3% em desfavor das trabalhadoras.
Em termos práticos, para cada real recebido por um homem, a média das mulheres brasileiras nas grandes empresas é de apenas R$ 0,78.
O levantamento, que integra as ações da Lei nº 14.611/2023 (Lei da Igualdade Salarial), revela que os estados do Nordeste e Norte lideram os índices de menor desigualdade. Ao lado de Alagoas, destacam-se:
• Acre: 91,9%
• Piauí: 92,1%
• Distrito Federal: 91,2%
• Pernambuco: 89,3%
• Alagoas: 88,8%
Na contramão, estados como Espírito Santo (70,7%) e Rio de Janeiro (71,2%) apresentam os maiores abismos remuneratórios entre os gêneros.
Desafios Estruturais
Apesar do avanço de 800 mil novos postos de trabalho ocupados por mulheres no último período, o relatório do MTE aponta que a desigualdade salarial pouco se alterou em relação ao ano anterior, quando a diferença era de 20,7%. No salário mediano de contratação, o desvio é de 14,3%.
De acordo com a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE, a massa de rendimentos feminina hoje representa 35,2% do total nacional.
Para que houvesse uma equivalência real à presença das mulheres no mercado (41,4%), seria necessário um incremento de R$ 95,5 bilhões na economia voltado exclusivamente para o ajuste desses rendimentos.
Transparência Obrigatória
Os dados foram extraídos da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de cerca de 53,5 mil estabelecimentos. A legislação vigente agora obriga a transparência de critérios remuneratórios, visando coibir a discriminação.
O relatório também observou uma evolução nas políticas internas das empresas, como o aumento da oferta de auxílio-creche e licenças parentais estendidas, mecanismos que auxiliam na permanência da mulher no mercado de trabalho.
Dados Gerais do Relatório:
• Salário médio no Brasil: R$ 4.594,89.
• Salário contratual mediano: R$ 2.295,36.
• Forte crescimento: A ocupação de mulheres negras (pretas e pardas) subiu de 3,2 milhões para 4,2 milhões.
