Situada em uma das regiões privilegiadas do Nordeste, o Sertão alagoano reúne as condições necessárias para se tornar um polo econômico regional. Para alcançar a maturidade necessária para se tornar vitrine do comércio na tríplice fronteira, entre Alagoas, Sergipe e Bahia, é necessário superar o básico para garantir uma experiência satisfatória para o cliente, que está cada vez mais exigente. Mais do que dominar técnicas de vendas, gestão financeira e marketing, hoje a competitividade das empresas da região depende fundamentalmente da capacidade dos gestores em modernizar processos e profissionalizar o atendimento.
Para ajudar o gestor a deixar de lado o papel de mero “resolvedor de problemas” para se tornar um líder estratégico, o Sebrae Alagoas deu início ao projeto Conecta Comércio, que reuniu quase 50 empresários de Delmiro Gouveia, Santana do Ipanema e Olho d’Água das Flores, no segundo encontro realizado em sua unidade local. Iniciado em 2025, o programa busca levar para o setor produtivo soluções práticas e aplicáveis para os obstáculos que impedem o crescimento das empresas.
Superando o gargalo da gestão de pessoas
Conforme o diagnóstico feito a partir da escuta ativa dos empresários no primeiro encontro do “Conecta”, ficou claro que o maior entrave para o crescimento das empresas é o capital humano. O recrutamento de mão de obra qualificada e a retenção de talentos se tornaram o maior gargalo produtivo do Sertão. Sem uma equipe engajada e bem conduzida, os potenciais logísticos e turísticos da região acabam subutilizados por falta de um atendimento à altura das exigências.
Neste segundo encontro, o Sebrae tratou diretamente desse gargalo, buscando transformar o desafio em uma estratégia com resultados visíveis. Com o apoio da prefeitura de Delmiro Gouveia, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Associação Comercial, a superação deste desafio é atendida como uma política de desenvolvimento regional, capaz de unir as empresas que precisam de funcionários às pessoas que buscam uma vaga de trabalho.
A resposta desta equação não está somente na qualificação dos trabalhadores. Ela passa também pela forma como o líder conduz a sua equipe, como explicou Verônica Gurgel, que promoveu a palestra “Liderança Transformadora”, em que apresentou ferramentas para melhorar o clima organizacional e a comunicação assertiva como uma forma de reduzir a rotatividade e aumentar o desempenho do atendimento de forma imediata.
O desafio de liderar com estratégia
Quem vive o cotidiano das empresas de Delmiro Gouveia também teve o lugar de fala no encontro. As empresárias Patrícia Lacerda, da Casa Designer e Ekipe Music, e Vânia Araújo, da Casa da Cópia, trouxeram o peso da realidade do problema e dividiram com os participantes as alternativas que estão adotando para resolvê-lo.
“Atualmente o maior gargalo enfrentado por todas as empresas de todos os setores é a gestão de pessoas. Isso é matéria de estudo em todo cenário nacional”, constata Patrícia Lacerda. De acordo com ela, a dificuldade com o capital humano exige das empresas ações firmes e visão sistêmica. A estratégia que ela adota foca no investimento constante e sensação de pertencimento.
“Priorizo o desenvolvimento das pessoas e a expansão de seus conhecimentos. Os colaboradores são convidados a sentir como o negócio funciona e a participar dos processos e decisões. Quando nos interessamos genuinamente pelo outro, fica mais fácil todo mundo querer andar junto”, enfatiza.
De acordo com Vânia Araújo, o segredo para manter a equipe engajada passa por uma liderança estratégica e funcional. “Na função de gestor, é preciso adquirir características para manter os colaboradores motivados. Além de valorizar os direitos, é necessário estar atento a eles como pessoas, com suas dores e anseios. É necessário ter atenção aos pequenos detalhes porque se o trabalho for feito com amor, podemos colher frutos lindos”, pondera.
A empresária também reforça a importância do projeto do Sebrae, que promove momentos de conexão que permite aos empresários perceberem as dificuldades que são comuns a todos e, juntos, buscarem soluções eficazes. “Lidar com pessoas não é fácil, principalmente se estamos falando de colaboradores internos. Muitas vezes eles mesmo dizem que só estão ali enquanto não acham nada melhor para fazer. Infelizmente é raro encontrar alguém disposto a dar o seu melhor independente do tempo que vai ficar”, desabafa.
Futuro do desenvolvimento regional
Mais do que uma reunião, o movimento busca também oferecer direcionamento técnico às empresas que estão passando por dificuldades no capital humano. Bruno Lima, analista do Sebrae, explica que o projeto passa por um planejamento rigoroso, que analisa o cenário regional e que também prioriza a voz do empresariado. Segundo ele, a escolha do tema foi uma resposta aos pedidos colhidos no encontro anterior. “Este segundo encontro consolidou os ótimos resultados que vínhamos buscando. No ano passado, realizamos uma escuta ativa com os empresários para identificar suas maiores dificuldades, e a gestão de pessoas surgiu como uma dor unânime. Por isso, estruturamos uma programação que uniu o conteúdo técnico da palestra de Verônica Gurgel a um painel de vivências reais com empresárias da região”, explica.

Além do aprendizado e das conexões durante a reunião, ele ressalta que o Sebrae também continua a oferecer um suporte contínuo aos participantes. “Não paramos no evento; contamos com uma consultora especializada para realizar o atendimento direto às empresas participantes, oferecendo direcionamentos técnicos personalizados para cada realidade”, ressalta, acrescentando que em breve será divulgada a data e o tema do próximo evento. “A ideia é manter esse padrão de encontro para outros momentos, trazendo novas temáticas e fortalecendo a conexão tanto entre as entidades parceiras quanto entre os próprios empresários. O próximo encontro já está sendo organizado para o segundo semestre e deve focar em outras dores identificadas pelo mercado local”, esclarece.
Com o Conecta Comércio, o Sebrae reafirma sua atuação como um catalisador de desenvolvimento local, criando um ecossistema de aprendizado sobre boas práticas que solucionam problemas de quem vive o dia a dia empresarial. A instituição contribui na base dos negócios, ajudando a inovar processos, treinar times e instituir uma cultura que cria um ambiente de trabalho positivo, aumentando a motivação e a produtividade dos colaboradores, além de melhorar a reputação da empresa junto ao público.
