O CRB até saiu na frente no Castelão, com gol de Mikael aos 32 minutos do primeiro tempo, mas voltou a mostrar um problema que já vem pesando na temporada: a dificuldade de sustentar vantagem e controlar o jogo nos momentos decisivos. O Fortaleza empatou ainda antes do intervalo, com Maílton, e virou logo no início da etapa final, com Miritello, abrindo 2 a 1 no duelo de ida da quinta fase da Copa do Brasil. O resultado deixou o time alagoano em desvantagem no mata-mata e ampliou a sensação de instabilidade que já vinha da Série B. 

Em semanas como esta, o torcedor acompanha escalações, sequência de jogos, retrospectos e o momento do time em diferentes plataformas esportivas e também nas Melhores casas de apostas, sobretudo quando uma derrota como a desta quarta-feira muda o peso dos próximos compromissos e aumenta a pressão sobre elenco e comissão técnica. 

 

O ponto é que a virada sofrida diante do Fortaleza não pode ser lida como um tropeço isolado. Ela encaixa num contexto mais pesado. O time chegou a dez partidas sem vencer, vive uma crise aberta neste início de Série B e ainda perdeu força num confronto que também mexe com o caixa: quem avançar às oitavas de final da Copa do Brasil embolsa mais R$ 3 milhões, valor importante para qualquer clube deste tamanho no atual calendário brasileiro. 

 

Defesa exposta e pouca margem para erro

O maior sinal de alerta continua a ser o sistema defensivo. Antes mesmo do jogo contra o Fortaleza, o CRB já aparecia com a segunda pior defesa da Série B, com oito gols sofridos em cinco jogos, atrás apenas do América-MG. A sequência recente também vinha a ser negativa: nove partidas sem vencer, ambiente pressionado no CT e um time que, em vez de estabilizar, foi acumulando problemas de confiança e organização. 

 

A derrota no Castelão reforçou essa leitura porque repetiu um padrão que já incomoda o torcedor. O CRB conseguiu competir, abriu o placar fora de casa, mas não sustentou a vantagem. E isso pesa ainda mais quando o momento geral já é ruim. A equipa vinha de início fraco na Série B, com apenas dois pontos após quatro partidas, enquanto o Criciúma, próximo adversário, já somava sete em cinco jogos e aparece na metade de cima da tabela. No cenário atual, o CRB joga quase sempre com a obrigação de responder imediatamente. 

 

O jogo contra o Criciúma ganhou outro tamanho

Se o duelo de volta com o Fortaleza ficou mais duro, o compromisso de domingo pela Série B ganhou ainda mais peso. O CRB visita o Criciúma no dia 26 de abril, no Heriberto Hülse, e chega para esta partida carregando não apenas a derrota na Copa do Brasil, mas também a pressão de interromper o jejum e melhorar uma campanha que começou mal. 

O problema é que o momento do elenco piorou também do ponto de vista físico. Dadá Belmonte caiu de mau jeito no gramado, precisou deixar o campo de ambulância e foi levado a um hospital de Fortaleza. Segundo a apuração mais recente, o atacante está consciente, mas o clube vai monitorar a situação e ele pode até ficar fora da partida contra o Criciúma. Para um time que já entra pressionado e ainda busca mais presença ofensiva, a possibilidade de perder uma peça importante torna a viagem a Santa Catarina ainda mais sensível. 

 

A virada acendeu um alerta para além da Copa do Brasil

Há derrotas que ficam limitadas ao resultado de uma noite. Esta não parece ser uma delas. O jogo contra o Fortaleza expôs um CRB que até consegue competir em certos trechos, mas ainda não transmite segurança para administrar vantagem, reagir emocionalmente ao gol sofrido e proteger melhor a própria área. Num mata-mata, isso já custa caro. Numa Série B longa, pode custar ainda mais. 

Também por isso a leitura do momento vai além da simples desvantagem no confronto da Copa do Brasil. O CRB ainda terá o jogo de volta no Rei Pelé, marcado para 14 de maio, e continua vivo na disputa. Mas, até lá, a necessidade mais urgente passa pelo Brasileiro. A equipa precisa pontuar, ganhar confiança e sair da parte de baixo da tabela. Sem isso, qualquer reação no mata-mata fica mais improvável, porque o peso do ambiente só aumenta. 

 

O próximo passo é provar que ainda há reação

No futebol, sequências negativas costumam mudar quando o time consegue transformar pressão em resposta rápida. É isso que o CRB precisa fazer agora. A derrota para o Fortaleza deixou claro que o elenco ainda tem capacidade para criar dificuldades a um adversário de Série A, mas também mostrou que a margem para erro está muito curta. Quando o time sai na frente e mesmo assim não consegue segurar o resultado, o problema deixa de ser apenas técnico e passa também por confiança, concentração e estabilidade competitiva. 

Por isso, o jogo contra o Criciúma virou mais do que uma rodada de abril. Ele passou a funcionar como termômetro para o que o CRB pode ser neste início de campeonato. Um bom resultado fora de casa ajudaria a baixar a temperatura, interromper o jejum e recolocar o time num caminho mais estável. Um novo tropeço, por outro lado, tende a ampliar a crise e a fazer com que a derrota de virada para o Fortaleza seja lembrada não como um episódio isolado, mas como o retrato fiel de um momento muito delicado.