Alagoas registrou 106 casos de meningite e 31 óbitos ao longo de 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. Apenas no primeiro trimestre, foram 20 casos e sete mortes. Já em 2026, entre janeiro e março, houve 23 casos e três óbitos, indicando leve aumento no número de registros, mas redução na letalidade da doença no período mais recente.
Nesta sexta-feira (24), quando é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra as Meningites, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) reforça o alerta para prevenção e diagnóstico precoce da doença, que pode provocar sequelas graves e até levar à morte se não tratada rapidamente. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tanto vacinação quanto tratamento gratuito para toda a população.
De acordo com a enfermeira da Sesau, Cyndi Romão, a meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por diferentes agentes infecciosos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas. A forma bacteriana aguda é considerada a mais grave. “Ela pode evoluir rapidamente para óbito em menos de 24 horas e causar sequelas permanentes em cerca de 20% dos sobreviventes, como deficiência auditiva, neurológica e cognitiva”, explica.
A transmissão varia conforme o tipo da doença. Nas meningites bacterianas, ocorre principalmente por secreções respiratórias, tanto de pessoas doentes quanto de portadores assintomáticos. Já as virais são mais frequentemente transmitidas pela via fecal-oral, além da respiratória. As formas fúngicas e parasitárias, por sua vez, costumam ser adquiridas pela inalação de agentes presentes no ambiente.
Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça intensa, vômitos e rigidez na nuca. Em casos mais graves, podem surgir convulsões, rebaixamento do nível de consciência, sinais de sepse, como pressão baixa e extremidades frias, além de manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele. “Ao observar esses sinais, é fundamental procurar imediatamente uma unidade de emergência para avaliação e início do tratamento”, orienta Cyndi Romão. O diagnóstico é feito com base em critérios clínicos e exames laboratoriais, incluindo testes moleculares disponíveis no SUS.
A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação, ofertada gratuitamente pelo SUS por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). O calendário inclui doses como a meningocócica C (aos 3 e 5 meses), meningocócica ACWY (reforço aos 12 meses e para adolescentes de 11 a 14 anos), pneumocócica 10-valente (aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses), pentavalente (aos 2, 4 e 6 meses) e a BCG, aplicada ao nascer.
A Sesau destaca que, apesar do leve aumento de casos no início de 2026, a redução no número de mortes aponta para avanços no diagnóstico e tratamento, reforçando a importância da vacinação e da busca rápida por atendimento médico diante de qualquer suspeita.
*Com assessoria
