A frase é antiga, mas segue atual nos bastidores da política: vingança é um prato que se come frio. Em Alagoas, esse prato pode estar sendo preparado em silêncio, com potencial de explodir nas urnas.

O estopim dessa crise envolve nomes conhecidos da política regional: Izabelle Alcântara, Fernando Pereira e Joazinho Pereira.

Nos bastidores, o que se comenta é que a saída conturbada de Izabelle da Secretaria de Saúde de Teotônio Vilela, em fevereiro, não foi apenas administrativa. O episódio teria marcado o início de um rompimento profundo dentro da família Pereira.

Fontes locais apontam que Izabelle, além de ter sido exonerada, teria sido gradualmente isolada de decisões importantes, inclusive ligadas à gestão financeira do grupo político familiar. Esse movimento, interpretado por aliados como uma tentativa de enfraquecimento, acabou gerando o efeito contrário, o fortalecimento de uma possível reação.

Hoje, o cenário mais comentado é o de um confronto direto entre Izabelle e seu cunhado, o deputado Fernando Pereira, que busca a reeleição na Assembleia Legislativa, a chamada Casa Tavares Bastos.

Se há um território onde essa disputa pode ganhar peso imediato, é Teotônio Vilela. Bem avaliada no município, Izabelle construiu presença política e reconhecimento popular, fatores que podem impactar diretamente o desempenho eleitoral do grupo familiar.

A possível entrada dela na disputa tende a fragmentar votos em uma região considerada estratégica, elevando o nível de tensão dentro do próprio grupo político.

O impacto não se limitaria a um único município. A disputa pode reverberar em cidades importantes como Campo Alegre, São Miguel dos Campos e São Sebastião, ampliando o alcance eleitoral de Izabelle e aumentando o risco de divisão de votos para Fernando Pereira.

 

 

Outro ponto que chama atenção nos bastidores é a aproximação de Izabelle Alcântara com JHC, do PSDB. O prefeito da capital vem sendo cotado como um dos favoritos na disputa pelo Governo de Alagoas, o que pode reposicionar Izabelle dentro de um novo campo político.

Esse movimento amplia o peso da possível candidatura, deixando de ser apenas um conflito familiar e passando a integrar uma articulação maior no cenário estadual.

O que está em jogo não é apenas uma cadeira na Assembleia. É o controle de um grupo político, a manutenção de uma hegemonia regional e a reconstrução de alianças.

O racha na família Pereira, que antes era tratado como rumor, agora ganha contornos públicos e pode se transformar em um dos episódios mais decisivos do próximo ciclo eleitoral em Alagoas.