O Departamento de Estado dos Estados Unidos determinou, na segunda-feira (20), a saída compulsória do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano. A medida acirra o impasse diplomático entre Brasil e Estados Unidos em torno do caso do ex-deputado Alexandre Ramagem.

A decisão foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano. Sem citar o nome do delegado, a Embaixada dos EUA no Brasil publicou a informação em rede social, acusando-o de "perseguição política": "Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso." 

Quem é Marcelo Ivo

Nascido em Santos (SP), Marcelo Ivo de Carvalho ingressou na Polícia Federal em 2003 e construiu carreira em postos estratégicos, incluindo a chefia da Delegacia da PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos.  Era o único delegado brasileiro lotado dentro das instalações do ICE, a agência responsável por coordenar operações migratórias em toda a Flórida. Na prática, o posto o colocava como principal elo institucional entre a PF e uma das principais agências de segurança dos Estados Unidos. Sua missão em Miami, iniciada em agosto de 2023, havia sido prorrogada até agosto de 2026. 

Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, Marcelo Ivo forneceu informações que contribuíram para a detenção de Ramagem em 13 de abril de 2026. 

A prisão e a soltura de Ramagem

O ex-deputado foi preso pelo ICE no dia 13 de abril e solto na quarta-feira (15), após ficar detido no condado de Orange, na Flórida. A detenção teria começado após uma infração de trânsito leve, quando Ramagem apresentou carteira de habilitação brasileira já fora do prazo de validade, levando o ICE a verificar sua situação migratória. Ele havia entrado nos EUA em setembro de 2025 com visto de turista, com permanência autorizada até março de 2026, e permaneceu no país após o vencimento. 

A PF alegou que a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre Brasil e EUA, mas os americanos discordaram.  Após a soltura, Ramagem publicou um vídeo agradecendo à cúpula do governo Donald Trump pela liberação. 

Ruptura diplomática e silêncio oficial

O episódio representa uma ruptura operacional significativa: ao ser retirado do posto, o Brasil perde seu principal elo de comunicação direta com o ICE justamente no momento em que o caso Ramagem está no centro das negociações diplomáticas entre os dois países. Nem a Polícia Federal nem o Itamaraty se manifestaram publicamente sobre a expulsão. A PF se limitou a informar que o delegado estava nos EUA em missão oficial, sem fazer qualquer menção às acusações do Departamento de Estado. 

O caso Ramagem

Ramagem deixou o Brasil em 2025 após ser condenado pelo STF a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. 

Para fugir, cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana e seguiu para os Estados Unidos de forma clandestina. Ele ficará solto nos EUA até que seja julgado seu pedido de asilo político, o que ainda não tem data para acontecer.

*Com agências