Um vídeo que mostra uma mulher oferecendo água a uma ave marinha, aparentemente ferida, passou a circular nas redes sociais nesta segunda-feira (20). O caso aconteceu no bairro de Cruz das Almas, em Maceió, e expõe uma situação que, apesar da intenção de ajuda, envolve riscos sanitários e pode configurar crime ambiental.

De acordo com o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), da Polícia Militar, a ave que aparece nas imagens é migratória e considerada silvestre. A espécie é uma parcela-de-bico-preto, também conhecida como petrel havaiano. Essas aves costumam passar pelo litoral alagoano entre os meses de abril e julho, período de migração em que é mais comum que apareçam debilitadas, seja por exaustão, ingestão de resíduos ou doenças.

Esse não é um caso isolado. O Instituto Biota informou que recebeu, somente nesta semana, outros relatos de pessoas tendo contato direto com aves marinhas no estado. Em um dos casos, um homem chegou a levar o animal para casa.

 

Foto: Reprodução

 

Risco de gripe aviária

Em março deste ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária por gripe aviária no Brasil. Até o momento, foram contabilizados 188 focos da doença, a maior parte em aves silvestres, o que reforça a necessidade de cautela no contato com esses animais.

Segundo a Polícia Ambiental, a orientação é evitar qualquer tipo de interação. A recomendação inclui não tocar, não alimentar e não recolher a ave, mesmo em situações em que o animal pareça ferido. Além do risco de transmissão de doenças, manter um animal silvestre em casa sem autorização é considerado crime ambiental.

O batalhão também explica que não realiza o recolhimento direto dessas aves, justamente para evitar a contaminação cruzada com outros animais transportados nas viaturas. A situação tem sido discutida entre diferentes órgãos e também com o Ministério Público, diante da complexidade sobre qual deve ser o destino adequado desses animais sem colocar outros em risco.

O Instituto Biota reforça que o procedimento correto é manter distância, registrar a situação e acionar os órgãos responsáveis. A avaliação dos animais fica sob responsabilidade do serviço veterinário oficial, conduzido em Alagoas pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Adeal), que define se há necessidade de recolhimento.

Para ilustrar o nível de cuidado necessário, o Biota divulgou a imagem de um atendimento realizado em fevereiro deste ano, em que profissionais utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI) de alto nível de proteção.

 

Foto: Biota

 

A reportagem entrou em contato com o Ibama para mais esclarecimentos sobre os procedimentos nesses casos, mas não houve retorno até a última atualização.

*Estagiária sob supervisão da editoria