Mais de 8 mil embarques em apenas uma semana. Esse foi o movimento registrado no início da operação do Ônibus da Mulher em Maceió, um número que vai além da curiosidade e revela algo maior: a necessidade real de mais segurança para quem usa o transporte público todos os dias.
Ainda em fase de testes, o projeto já mostra força. A ideia surgiu a partir de dados que apontam onde há maior presença de mulheres nos ônibus, principalmente nos trajetos de ida e volta do trabalho e dos estudos. Também leva em conta uma realidade conhecida por muitas: o desconforto e, em alguns casos, o medo dentro de coletivos lotados, onde situações de assédio ainda são frequentes.
Na prática, a proposta é simples: oferecer um espaço mais seguro e acolhedor. E isso tem feito diferença para quem depende do transporte. A técnica de enfermagem Rosenilda Maria da Conceição, de 30 anos, vê a iniciativa como algo necessário — ainda mais depois de experiências próximas. “Já aconteceu com uma familiar minha. É uma situação muito real. Podia ter vindo antes, mas é bom saber que agora existe”, contou.
Entre as linhas que já estão rodando, a que liga Clima Bom à Ponta Verde foi a mais utilizada, seguida por trajetos que conectam bairros como Eustáquio Gomes, Cruz das Almas, Benedito Bentes e Jatiúca.
Além do público prioritário, o projeto também prevê algumas regras de acesso: podem embarcar pessoas que se identificam com o gênero feminino, crianças de até 12 anos acompanhadas por mulheres e homens que estejam auxiliando mulheres com deficiência. Outro ponto é a priorização de motoristas mulheres e a identificação dos ônibus na cor rosa.
Para Zara Rodrigues, de 44 anos, que usa transporte público diariamente, a mudança já trouxe mais tranquilidade. “A gente fica mais vulnerável em ônibus cheios. Já passei por situações desagradáveis. Agora, sabendo que só tem mulheres, é diferente”, relatou.
A fiscalização está sendo feita com apoio de diferentes órgãos, que acompanham o funcionamento do serviço e orientam os passageiros. Também há um esforço para informar melhor a população sobre como o projeto funciona, tanto nas redes sociais quanto nos próprios ônibus e terminais.
Casos de descumprimento das regras ou situações de desrespeito podem ser denunciados pelos canais oficiais do município. A ideia é que o serviço continue sendo ajustado com base no uso e na resposta da população.
Mesmo em caráter experimental, o Ônibus da Mulher já deixou claro: não se trata só de uma novidade, mas de uma resposta a uma demanda antiga que, por muito tempo, ficou sem solução.
*com Assessoria
