Um levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), com apoio da Polícia Civil e da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar, aponta que os 19 casos de desaparecimento registrados entre 2022 e 2026 na região da Rota Ecológica dos Milagres estão direta ou indiretamente ligados ao tráfico de drogas e à atuação de organizações criminosas.

Dos 19 desaparecidos, 18 são homens e uma é mulher. Segundo as investigações, todos apresentam algum tipo de vínculo com o crime — seja por antecedentes formais, participação ativa em facções ou dívidas relacionadas ao narcotráfico. A maioria é natural de São Miguel dos Milagres ou de municípios vizinhos, mas também há registros de pessoas oriundas de Sergipe e Pernambuco.

O levantamento indica que disputas por território entre grupos rivais, cobranças de dívidas, suspeitas de delação e o descumprimento de regras internas das facções estão entre os principais fatores associados aos desaparecimentos.

As forças de segurança identificaram a atuação de pelo menos quatro grupos criminosos na região: a Tropa do Kebinho, ligada ao Comando Vermelho; o Trem Bala do CV; o Primeiro Comando da Capital (PCC); e a Tropa dos Crias, sediada em São José da Coroa Grande (PE) e também associada ao PCC.

Até o momento, nenhum corpo foi localizado. As autoridades trabalham com duas hipóteses principais: a possibilidade de fuga voluntária para romper vínculos e evitar retaliações, ou a ocorrência de mortes violentas no contexto das disputas entre facções.

A Polícia também destacou que nenhum dos desaparecidos é turista ou visitante da região. Os casos, segundo as investigações, estão restritos às dinâmicas do crime organizado, sem relação com o fluxo turístico da Rota dos Milagres.

O secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, informou que as investigações seguem em andamento e que a Polícia Civil continua empenhada em esclarecer os casos e dar respostas às famílias. Apesar dos registros, as autoridades reforçam que a região permanece sendo considerada um destino seguro para visitantes.

*Com informações da assessoria. / Foto: Agência Alagoas