O primeiro dia útil após a implementação do sistema de "Diamante Invertido" no viaduto do Jacintinho foi marcado por um longo congestionamento que paralisou as principais vias de acesso ao bairro nesta segunda-feira (13).
O novo modelo, que prometia fluidez, acabou gerando um efeito cascata que atingiu o comércio local e estendeu o tempo de viagem de motoristas de 20 minutos para quase três horas.
A reportagem do Cada Minuto percorreu o trecho no final da tarde na garupa de uma motocicleta — o único veículo capaz de avançar em meio ao travamento.
O gargalo, sentido em todo o bairro, já apresentava retenção crítica desde a entrada pela delegacia do 9º Distrito Policial, estendendo-se pelas imediações da Ladeira do Bonfim. O cenário era de paralisia total, com reflexos diretos na fluidez dos bairros vizinhos e nas rotas de escoamento da região.

Dentro dos ônibus, o clima era de exaustão. Maria do Socorro, que trabalha na Ponta Verde, relatou o drama de quem depende do transporte coletivo. Ela encerrou o expediente às 17h e, às 18h10, o veículo ainda estava parado em um trecho, sem previsão de avanço.
"Não sei que hora vou chegar em casa. Já vou enfrentar o trânsito da Via Expressa e ainda estou presa aqui no Jacintinho", desabafou ela, que utiliza a linha Eustaquio Gomes/Ponta Verde para retornar ao lar.
Para quem depende do volante, a mudança foi drástica. O motorista de aplicativo Alec Nogueira relatou ter enfrentado duas horas de fila para concluir uma corrida curta. “A corrida encarece, gasto mais gasolina e o estresse adoece. Tem rota como essa que nem vale mais a pena pegar”, desabafa.

O impacto atravessou as avenidas principais e atingiu as ruas transversais, afetando diretamente o comércio. O dentista Écio Olegário, que mantém um consultório na região, sentiu o prejuízo na agenda. “Os clientes não conseguem chegar e não há onde estacionar devido ao fluxo parado nas ruas vizinhas. Em plena segunda-feira, não pude fechar meu dia de trabalho, fiquei no prejuízo”, afirmou.
Para os moradores das imediações do viaduto, o problema vai além do atraso: o barulho tornou-se insuportável. Rodrigo, morador da região, descreveu uma "barulheira danada" causada pelo buzinaço ininterrupto dos motoristas impacientes.
Visivelmente indignado, ele alertou para o tom de revolta que começa a tomar conta do bairro. "Só vai parar depois que a população quebrar tudo. Ninguém aguenta mais esse barulho e essa confusão”, afirmou.

Sidclei Souza, motociclista que transita na região há 40 anos, relembrou a história do Viaduto União e Paz, construído na gestão Sampaio, e questionou a necessidade da mudança técnica. Segundo ele, o local, embora confuso, não registrava acidentes graves por questões de fluxo, mas apenas por imprudência.
Por outro lado, o caos serviu de oportunidade para o comércio ambulante próximo à Escola Kátia Pimentel Assunção. Michele, que vende frutas e verduras, comemorou o movimento atípico. “Os motoristas aproveitaram que estavam presos para comprar inhame e macaxeira. Hoje ganhei o dinheiro de fazer a unha para o final de semana”, celebrou.
Agentes do Departamento Municipal de Transporte e Trânsito (DMTT) estiveram no local durante todo o dia. Segundo o órgão, o modelo de "Diamante Invertido" foi projetado para reduzir pontos de conflito e diminuir engarrafamentos a longo prazo.
Questionados sobre os transtornos desta segunda, os agentes alegaram que o impacto é esperado nos primeiros dias de adaptação e que, com o tempo, os condutores se acostumarão ao novo fluxo.

