Sob alertas simultâneos de chuvas intensas que seguem válidos até o próximo sábado (11), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) acende o sinal de risco em Alagoas e reforça um problema que vai além das condições climáticas: a vulnerabilidade estrutural das cidades, especialmente Maceió.
Enquanto o órgão aponta volumes que podem chegar a 100 mm por dia nas áreas sob alerta laranja — com risco de alagamentos, deslizamentos e transbordamentos —, especialistas como o urbanista Dilson Ferreira chamam atenção para um fator que amplia os impactos dessas chuvas: a ausência de um sistema de drenagem urbana eficiente.
A conexão é direta. Mesmo nos municípios sob alerta amarelo, onde a previsão indica chuvas de menor intensidade, há possibilidade de alagamentos pontuais. Para Ferreira, isso evidencia que o problema não está apenas na quantidade de chuva, mas na incapacidade da cidade de absorver e escoar a água.
Em análise contundente, o urbanista critica a narrativa recorrente que responsabiliza apenas a população. “Não compre esse discurso de que a culpa é só do lixo. Bairros que recebem limpeza urbana diária continuam alagando porque falta drenagem real, falta ‘obra enterrada’ que político não gosta de fazer porque não aparece no drone”, afirmou.
O diagnóstico ganha força quando se observa que áreas como Ponta Verde e Jatiúca, mesmo com manutenção frequente, seguem registrando alagamentos. Para o especialista, isso revela que o problema central está na insuficiência de engenharia subterrânea, inclusive em regiões valorizadas da capital.
Nesse contexto, os alertas do Inmet deixam de ser apenas um aviso meteorológico e passam a expor uma fragilidade urbana crônica. A combinação entre precipitações — mesmo de média intensidade — e a falta de infraestrutura adequada transforma eventos climáticos comuns em situações de risco.
O professor também relaciona a deficiência na drenagem a impactos mais amplos. “Drenagem é menos doença, é menos dengue, é menos zika. É saúde pública e segurança para a população que vive nas grotas e nas partes baixas”, destacou.
