A Justiça de Alagoas recebeu denúncia do Ministério Público e tornou réus Maurício Anchieta de Souza, Jéssica da Conceição Vilela e Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima, pela morte brutal da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, ocorrida em uma comunidade terapêutica em Marechal Deodoro. A decisão aponta indícios suficientes de autoria e materialidade, com descrição detalhada das condutas, o que levou à abertura de ação penal contra os três acusados.
Maurício Anchieta de Souza passa a responder por homicídio qualificado, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de cárcere privado qualificado. Ele é apontado como o principal executor das agressões e responsável direto pela morte.
Jéssica da Conceição Vilela também responde por homicídio qualificado e cárcere privado qualificado, sendo acusada de participar das agressões e permitir e aderir às práticas violentas dentro da clínica.
Já Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima, tornou-se ré por cárcere privado qualificado. Segundo a acusação, ela teria sido responsável por manter Cláudia internada contra a própria vontade mesmo após o fim do contrato, contribuindo para o ciclo de violência.
De acordo com a denúncia, Cláudia Pollyanne foi submetida a um cenário contínuo de violência dentro da unidade, com relatos de espancamentos frequentes, uso de força física e administração excessiva de medicamentos para deixá-la dopada e sem capacidade de reação.
Testemunhas ouvidas no inquérito relataram que a vítima era agredida com socos, chutes e golpes de estrangulamento, muitas vezes diante de outros internos, evidenciando um padrão reiterado de maus-tratos.
A investigação também aponta que a esteticista permaneceu por cerca de sete meses em cárcere privado, período em que já não havia respaldo contratual ou autorização legal para sua permanência na clínica.
No dia da morte, Cláudia teria sido novamente submetida a agressões intensas e não resistiu. Foram constatadas múltiplas lesões pelo corpo, além de sinais compatíveis com asfixia e violência contínua, reforçando a brutalidade do crime.
O caso ganha ainda mais gravidade porque Maurício Anchieta e Jéssica da Conceição já estão presos em outro inquérito, no qual também figuram como réus por crimes como tortura e estupro praticados contra internos da mesma estrutura.
O processo segue agora para a fase de instrução, com produção de provas e oitiva de testemunhas antes do julgamento final.
Também é destacado no contexto do caso o trabalho contínuo da Comissão de Amigos de Cláudia Pollyanne, que realiza diligências até os dias atuais. Dois membros do grupo, no entanto, estão sendo processados pela tia da vítima, que agora figura como ré neste processo.
*Com assessoria
