A Faculdade Sociedade de Ensino Universitário do Nordeste (Seune) anunciou, nesta quarta-feira (1º), a implantação de uma sala de apoio voltada para estudantes que convivem com o Transtorno do Espectro Autista. A iniciativa busca oferecer suporte a alunos que são pais ou responsáveis por crianças autistas, contribuindo para a permanência deles no ensino superior.
A medida dialoga com uma realidade crescente no país. Dados do IBGE, a partir do Censo Demográfico 2022, apontam que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com autismo — o equivalente a 1,2% da população. Apesar da taxa de escolarização entre pessoas com TEA ser superior à média geral, a presença no ensino superior ainda é reduzida.
A proposta da instituição atua diretamente em uma das principais barreiras enfrentadas por esses estudantes: a dificuldade de conciliar a rotina acadêmica com os cuidados exigidos por crianças com necessidades específicas. O espaço foi planejado para acolher os filhos durante o período de aula, em um ambiente estruturado e acompanhado por profissionais especializados.
Com a iniciativa, as crianças passam a contar com suporte adequado, enquanto os responsáveis conseguem assistir às aulas com mais tranquilidade. Segundo o diretor da Seune, Stuart Manso, a criação do espaço amplia o conceito de inclusão dentro do ambiente acadêmico, ao considerar diferentes realidades vividas pelos alunos.
“Não basta garantir o acesso à faculdade. É preciso criar condições reais para que o estudante permaneça e conclua sua formação. Muitos enfrentam dificuldades por não terem com quem deixar seus filhos ou por precisarem de suporte especializado. A iniciativa acolhe essas famílias e permite que sigam com seus projetos de vida”, afirmou.
Aumento de diagnósticos
A criação da sala acompanha uma demanda crescente observada no cotidiano acadêmico. O aumento no número de diagnósticos de TEA, especialmente entre crianças e adolescentes, tem impactado diretamente a dinâmica familiar e exigido respostas mais inclusivas por parte das instituições de ensino.
Dados do IBGE mostram que a prevalência do autismo é maior entre os mais jovens, principalmente na faixa etária de 5 a 9 anos. O cenário ajuda a explicar por que muitos estudantes adultos enfrentam dificuldades para dar continuidade aos estudos quando não contam com uma rede de apoio adequada.
