Equipamentos avaliados em mais de R$ 2,4 milhões, essenciais para identificar criminosos e esclarecer crimes, estão parados há cerca de um ano no laboratório forense de Alagoas por falta de estrutura adequada. A situação foi constatada pelo Ministério Público do Estado (MPAL), que aponta risco de desperdício de recursos públicos e prejuízos às investigações criminais no estado.
De acordo com o MPAL, os aparelhos — um cromatógrafo líquido acoplado à espectrometria de massa, um cromatógrafo gasoso com detector por ionização em chama e um analisador genético — poderiam ser utilizados na identificação de sangue, sêmen e fios de cabelo em cenas de crime, além de auxiliar na confirmação de identidade de corpos e na análise de drogas, venenos, explosivos, combustíveis e gases tóxicos.
Mesmo com esse potencial, os equipamentos seguem sem uso por falta de um espaço físico adequado para instalação. Eles foram adquiridos com recursos do Ministério da Justiça e do Fundo Nacional de Segurança Pública.

A constatação foi feita pela Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial da capital ao concluir as fiscalizações ordinárias do primeiro semestre de 2026 em unidades da Polícia Militar, do Instituto de Criminalística (IC), do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Identificação.
Para a promotora Karla Padilha, responsável pelas inspeções, a situação evidencia falhas na gestão e compromete diretamente o combate à criminalidade. “São equipamentos necessários para o cumprimento de demandas do Ministério Público e da Polícia Judiciária. Poderiam estar ajudando na identificação de criminosos, como autores de crimes sexuais, mas estão parados. Isso é dinheiro público sem uso e ainda há risco de deterioração por estarem mal acondicionados”, criticou.
As fiscalizações abrangeram mais de 30 unidades da área de Segurança Pública na capital e revelaram uma série de problemas estruturais recorrentes. Entre eles, mofo, infiltrações, ar-condicionado quebrado, móveis deteriorados e falta de materiais básicos, como itens de expediente e limpeza. Em alguns casos, segundo o MPAL, servidores chegam a fazer contribuições entre si para suprir essas necessidades.

A promotora também alertou para situações mais graves, como unidades com risco de desabamento, já apontado em laudos da Defesa Civil, colocando em risco a segurança dos policiais.
Diante do cenário, o Ministério Público informou que adotará medidas para cobrar providências, incluindo o ajuizamento de Ações Civis Públicas (ACP). “Há uma morosidade sistêmica que impede que os serviços funcionem de forma adequada e eficaz”, afirmou Karla Padilha.
As inspeções fazem parte do calendário obrigatório do MPAL e seguem diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que prevê o acompanhamento semestral das condições de funcionamento dos órgãos responsáveis pela atividade policial.
*Com assessoria
