A Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) concedeu, nesta segunda-feira (30), o título de Cidadão Honorário ao padre Júlio Lancellotti. A homenagem reconhece a atuação do religioso há mais de quatro décadas junto à população em situação de rua, especialmente em São Paulo, onde ele desenvolve trabalho pastoral e social.
A proposta foi apresentada pelo deputado Ronaldo Medeiros (PT), que destacou a trajetória do padre durante a sessão. “Eu tenho uma admiração muito grande pela vida e pela trajetória desse grande ser humano”, afirmou. Segundo o parlamentar, Lancellotti dedica a própria vida às pessoas mais vulneráveis e atua na construção de um país mais justo. Ele também fez críticas ao distanciamento de parte dos cristãos das pautas sociais, ao dizer que muitos ignoram o exemplo de Cristo e seguem uma visão distorcida da fé.
Ao receber o título, Júlio Lancellotti afirmou que a defesa dos direitos da população em situação de rua é uma luta coletiva. “Essa não é uma luta solitária de ninguém, mas uma luta de muitos. Moradia é direito, não é favor”, disse. O padre ressaltou ainda as dificuldades enfrentadas por quem vive nas ruas e a falta de escuta em diferentes espaços. Em referência ao Evangelho, comparou o silêncio de Jesus ao silêncio imposto a essa população: “Dificilmente, em qualquer instância, a palavra dos moradores de rua é levada a sério”.
Durante o discurso, o religioso também destacou a influência de lideranças nordestinas na história do país, citando nomes como Dom Hélder Câmara, Padre Cícero, Frei Damião, Paulo Freire e Margarida Alves. Ele também criticou o preconceito contra migrantes nordestinos em São Paulo. “Os nordestinos construíram São Paulo e São Paulo os desprezou e não os respeitou com dignidade”, afirmou.
Em tom descontraído, Lancellotti agradeceu a homenagem e brincou com a possibilidade de se aproximar ainda mais do estado. “Eu agradeço ter o título de cidadão alagoano, porque na hora que São Paulo não me quiser mais, eu venho pra cá”, disse, arrancando aplausos. Ao encerrar, deixou uma mensagem de resistência: “Eu não luto pra vencer, eu sei que vou perder. Eu luto pra ser fiel. Até o fim. Lutem também.”
A solenidade reuniu autoridades do Judiciário, representantes do governo estadual, movimentos sociais e instituições de ensino.
