A malha viária de Alagoas passa por uma mudança estrutural profunda. Cerca de 110 quilômetros de rodovias, anteriormente sob jurisdição estadual, foram oficialmente transferidos para a gestão da União. A medida, articulada pelo Ministério dos Transportes, reorganiza as responsabilidades sobre manutenção e investimentos, inserindo trechos vitais para a economia local na rede federal de transportes.

A mudança transfere a administração para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Na prática, isso significa que o orçamento para recapeamento, sinalização e obras estruturantes passa a vir do Governo Federal, aliviando o caixa do Departamento de Estradas de Rodagem de Alagoas (DER-AL).

A federalização concentra-se em dois corredores estratégicos que conectam polos produtivos e turísticos:

Corredor Litoral Sul (BR-349): Inicia no entroncamento da AL-101 com a BR-424, em Marechal Deodoro, estendendo-se por Coruripe até Penedo. É uma rota fundamental para o escoamento agrícola e o fluxo turístico da região sul.

Vale do Paraíba (BR-424): Conecta a divisa com Pernambuco (Chã Preta) passando por Viçosa e Cajueiro até encontrar a BR-316. O trecho é vital para a integração interestadual e o fortalecimento do comércio no interior alagoano.

Embora o asfalto e as pontes agora sejam responsabilidade de Brasília, o policiamento segue o modelo local. Um acordo firmado entre o DER, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar garante que o Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) continue à frente da fiscalização e das autuações.

Essa estratégia de "gestão compartilhada" visa manter a capilaridade da polícia estadual na segurança das vias, enquanto o DNIT foca na padronização técnica da pista.

"Trata-se de um modelo que tem grande potencial de aperfeiçoar substancialmente a qualidade da estrutura viária e a administração do fluxo", avalia José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho), (na foto acima) presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).

Impacto direto no setor de transporte 

Para quem vive do transporte de cargas, a mudança é vista com otimismo. O setor de transporte de veículos zero quilômetro, representado pelo Sinaceg, aponta que a federalização traz a promessa de maior previsibilidade.

Para Márcio Galdino, diretor regional da entidade, a qualidade da pista é o principal fator de custo operacional. "Quando a estrada melhora, a operação responde rápido. Diminui atraso, reduz desgaste e melhora o custo do transporte", explica.

Benefícios esperados com a federalização:

  • Padronização: Manutenção segue normas técnicas nacionais do DNIT.
  • Alívio Fiscal: O Estado de Alagoas pode redirecionar recursos antes gastos nesses 110 km para outras rodovias estaduais.
  • Logística Industrial: Melhora no fluxo de escoamento para estados vizinhos, como Pernambuco e Sergipe.

A iniciativa faz parte de um plano nacional de reorganização da malha viária, priorizando trechos que funcionam como "veias" para o desenvolvimento regional.