Crianças e adolescentes da comunidade remanescente quilombola Tabuleiro dos Negros estão apredendo a tocar pífano, instrumento de sopro popularmente chamado de ‘pife’ cuja sonoridade está presente na identidade cultural de Penedo.

Trios ou ternos de ‘pife’ animam festas tradicionais com sua música enraizada na cultura do povo nordestino, especialmente durante celebrações religiosas, como os festejos do Bom Jesus dos Navegantes na região do Baixo São Francisco.

O resgate dessa tradição é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Juventude (SEMCLEJ), com a primeira oficina de iniciação musical gratuita realizada neste sábado, 28, ensino a cargo do maestro e professor Douglas Rocha.

Durante seis meses, a turma aberta à participação de outras pessoas terá aulas nas manhãs de sábado, na sede da Associação de Remanescentes Quilombolas Agricultores Familiares do Tabuleiro dos Negros – AQUITAN. 

Teresa Machado, gestora da SEMCLEJ, prestigiou o começo do trabalho que preserva e renova tradições artísticas da região, frisando mais uma novidade.

“Esse projeto também visa a formação do grupo cultural Pife do Velho Chico, com as aulas realizadas aqui, na comunidade quilombola Tabuleiro dos Negros, onde a mobilização dos alunos locais está sob a coordenação do Mestre Belo, figura atuante na articulação comunitária e mestre do coco de roda”, explica Teresa.

Outro aspecto relacionado com a valorização da memória histórica é que esse mergulho no universo da cultura popular adota metodologia do ensino semelhante ao de escolas ou conservatórios musicais.

“Vamos ensinar como se eles estivessem iniciando o aprendizado em uma flauta transversal, por exemplo, porque assim também poderão aprender corretamente e até tocar outros instrumentos e, quem sabe, seguir adiante, participando de uma banda filarmônica ou orquestra”, explica Douglas Rocha.

O maestro penedense também é o responsável pelos pífanos, instrumentos utilizados nas aulas pelos alunos que foram viabilizados por meio de projeto contemplado com recursos da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) via SEMCLEJ, reforçando a importância do investimento público direto na democratização do acesso à cultura e no apoio aos artistas locais.