A poucos dias do fim da janela partidária, marcada para 3 de abril, os bastidores da política em Alagoas entram em ebulição. Desde 5 de março, deputadas e deputados federais e estaduais estão autorizados a trocar de partido sem perder o mandato — movimento que, no estado, tende a impactar diretamente a composição da Assembleia Legislativa e da bancada federal.
O período de 30 dias, previsto na Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995), é considerado decisivo para a reorganização das siglas antes das eleições de outubro de 2026. Em Alagoas, onde o peso das articulações políticas costuma definir alianças e candidaturas competitivas, a janela é vista como momento-chave para reposicionamentos estratégicos.
Na prática, partidos atuam para fortalecer suas chapas, atrair nomes com potencial eleitoral e consolidar palanques. Já parlamentares avaliam mudanças de legenda de olho em melhores condições de disputa, acesso a recursos e maior espaço político.
Impacto direto no tabuleiro local
A expectativa é de que as movimentações alterem o equilíbrio de forças tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados. Trocas de partido podem influenciar desde a base de apoio ao governo estadual até a formação de blocos de oposição.
A janela partidária só vale, neste ano, para cargos proporcionais — deputados federais e estaduais. Vereadores eleitos em 2024 não podem utilizar o mecanismo, já que não estão no fim do mandato. Já ocupantes de cargos majoritários, como governador e senador, não precisam da janela para trocar de partido.
Fora desse período, a regra é clara: o mandato pertence ao partido. Por isso, parlamentares que desejam mudar de legenda precisam apresentar uma “justa causa” à Justiça Eleitoral — exigência que é suspensa durante a janela.
Exceções e histórico
Além da janela partidária, existem outras situações em que a troca de partido não leva à perda do mandato, como mudança no programa da sigla, discriminação política pessoal ou anuência do próprio partido.
Criado na reforma eleitoral de 2015 e incorporado à Constituição no ano seguinte, o mecanismo se consolidou como peça central no jogo político brasileiro. Em Alagoas, a poucos meses do início oficial da corrida eleitoral, a janela partidária deve deixar marcas no desenho das alianças e no cenário que chegará às urnas em 2026.
*Com informações da assessoria
