Arapiraca, a capital do Agreste, vive hoje um paradoxo cruel. Enquanto cresce em números e importância econômica, regride no que há de mais sagrado e fundamental: o direito de nascer em sua própria terra. O fechamento de maternidades e a precariedade do atendimento obstétrico não são apenas "problemas de gestão"; são sintomas de um descaso estatal que beira a desumanidade.
Na última sessão da Câmara, a vereadora Jackelline Barbosa, com a autoridade de quem já geriu a pasta da saúde em Arapiraca, tocou em uma ferida aberta.
O alerta é claro: o investimento sumiu, o interesse público do estado evaporou e o que sobrou foi um vazio assistencial preenchido pelo desespero de famílias que não sabem se encontrarão um leito disponível no momento do parto.
O ponto mais revoltante desse cenário é a sazonalidade da preocupação política. Como bem destacado pela vereadora Jackelline Barbosa, a saúde das mães arapiraquenses parece ganhar importância apenas quando o calendário se aproxima das eleições.
É o "ciclo da promessa":
* Em época de campanha: Discursos inflamados e promessas de novos centros de parto.
* No exercício do mandato: O silêncio ensurdecedor diante da falta de repasses e do sucateamento das unidades existentes.
Enquanto políticos se articulam em benefício próprio, protegendo seus currais eleitorais e interesses partidários, a realidade nas ruas é outra.
Ver uma gestante ser obrigada a enfrentar estradas em busca de atendimento em outras cidades não é apenas um transtorno logístico — é uma violência obstétrica institucionalizada.
A falta de investimento do Estado em Arapiraca não é uma fatalidade, é uma escolha. Quando o governo deixa de priorizar a rede materno-infantil no segundo maior município de Alagoas, ele envia uma mensagem clara de que a vida das mulheres do Agreste tem menos valor.
Arapiraca não pode aceitar o papel de espectadora do próprio desmonte. É preciso que a cobrança iniciada no Legislativo Municipal se transforme em uma pressão popular constante. A saúde das mães e dos bebês não pode ser moeda de troca nem tema de palanque.
A população exige que o Estado trate Arapiraca com o respeito que sua história e seu povo merecem.
Afinal, uma cidade que não garante o berço para seus filhos está comprometendo o seu próprio futuro.
