O aumento do preço internacional do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, deve impactar a economia brasileira em 2026, com reflexos na inflação, no crescimento econômico e na arrecadação do governo. A avaliação consta em nota técnica divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
Segundo o documento, as projeções macroeconômicas para o Brasil sofreram pequenas mudanças entre fevereiro e março, principalmente devido à elevação das cotações do petróleo no mercado internacional. A estimativa do preço médio do barril do Brent para 2026 passou de US$ 65,97 para US$ 73,09, aumento de cerca de 10,8%.
Apesar da pressão vinda do petróleo, a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 2,3%. Já a projeção de inflação medida pelo IPCA subiu de 3,6% para 3,7%. O documento explica que cada aumento de cerca de 1% no preço do petróleo pode gerar impacto aproximado de 0,02 ponto percentual na inflação, devido principalmente ao encarecimento de combustíveis.
Conflito e impacto no petróleo
A escalada das tensões no Oriente Médio, após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, afetou rotas estratégicas de transporte de energia. O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, registrou redução no tráfego de navios, o que elevou o risco no mercado energético e fez o preço do Brent ultrapassar US$ 120 por barril em alguns momentos.
Além do petróleo, o conflito também pode afetar a oferta global de fertilizantes, alumínio e petroquímicos, produtos relevantes para a indústria mundial.
Brasil pode se beneficiar parcialmente
O relatório aponta que o Brasil, que se tornou exportador líquido de petróleo e derivados em 2016, pode ter ganhos comerciais com a alta da commodity. Em 2025, petróleo e derivados representaram cerca de 16% das exportações brasileiras e geraram saldo comercial positivo próximo de US$ 32 bilhões.
Com preços mais elevados, a tendência é de aumento nas exportações e maior atividade na indústria extrativa, o que pode estimular outros setores da economia, como refino e produção de máquinas.
Cenários possíveis
A Secretaria de Política Econômica simulou três cenários para avaliar os impactos do petróleo na economia brasileira em 2026.
No cenário considerado mais provável, com aumento temporário do preço da commodity, o PIB brasileiro teria crescimento adicional de 0,10 ponto percentual, enquanto a inflação subiria 0,14 ponto percentual. Nesse caso, o superávit da balança comercial aumentaria em US$ 2,5 bilhões e a arrecadação do governo central poderia crescer cerca de R$ 21,4 bilhões.
Já em um cenário de choque persistente, com petróleo a US$ 82 por barril, o crescimento adicional do PIB poderia chegar a 0,23 ponto percentual, com aumento de R$ 48,3 bilhões na receita do governo.
No cenário mais extremo, com preço médio de US$ 100 por barril, o impacto positivo no crescimento seria de 0,36 ponto percentual, mas com inflação maior, próxima de 0,58 ponto percentual adicional.
Perspectiva econômica
Mesmo diante da volatilidade causada pelo conflito internacional, o Ministério da Fazenda avalia que as perspectivas econômicas do Brasil permanecem favoráveis. O relatório indica que a alta do petróleo pode fortalecer a balança comercial e elevar a arrecadação pública, embora traga pressão inflacionária.
A expectativa do governo é que, apesar das incertezas externas, o país mantenha crescimento resiliente, inflação em trajetória de queda e alcance das metas fiscais previstas para os próximos anos
