O réu Fellippe Silva Cirino foi condenado, na noite desta quarta-feira (11), a 33 anos, dois meses e 19 dias de prisão em regime inicialmente fechado por matar a ex-mulher, a professora Joice dos Santos Silva Cirino, de 36 anos, e tentar matar o filho da vítima, que à época tinha 15 anos, ao oferecer coxinhas envenenadas em São Brás, no interior de Alagoas.
O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) sustentou a acusação durante o julgamento, cujo resultado foi acompanhado por diversas pessoas que aguardavam a decisão da Justiça do lado de fora do fórum. Para o promotor Alex Almeida, o veredito do júri significa que a dor dos familiares foi amenizada e que a sociedade promoveu justiça por meio do Conselho de Sentença.
“A professora Joice, infelizmente, foi mais uma vítima na contabilização da violência e do feminicídio pelo Brasil. Constatamos essa cultura de posse, a não aceitação do fim de um relacionamento transformado em vingança, e isso não pode continuar. O Ministério Público pontuou a perversidade planejada, o uso do meio cruel, pois o réu fez a vítima acreditar num gesto de delicadeza inexistente ao aceitar e comer a coxinha culminando na tragédia. A sentença foi dada, ela não volta, mas a família sai do salão do juri um pouco aliviada e ele pagará, conforme a lei, pelo crime cometido”, destaca o promotor.
A frieza no cometimento do crime foi reforçada quando constatado que Felipe Cirino havia modificado a cena do crime apagando vestígios que pudessem colocá-lo sob suspeita. O filho de Joice também comeu das coxinhas e precisou de internação por haver vestígios de envenenamento em sua corrente sanguínea.
Relembre o Caso
No dia 8 de outubro de 2024, por volta das 20h, Felipe Cirino se dirigiu à casa onde residia com Joice Santos e o filho menor portando um pacote com 20 coxinhas, as quais foram oferecidas a ambos. Inocentemente, mãe e filho comeram as coxinhas tendo Joice passado mal logo em seguida e sendo encontrada caída pelo filho e o denunciado e com a boca espumando.
Sem o menor remorso e friamente, o réu levou Joice para a UPA da cidade de Porto Real do Colégio, mas a mesma não resistiu à intoxicação e morreu cinco horas após.
Dez dias após a morte da professora, dia 18 de outubro, a Polícia Científica e Civil divulgou o resultado do exame de toxicologia realizado no Laboratório Forense do Instituto de Criminalística.
O laudo pericial apontou a presença das substâncias tóxicas sulfotep e terbufós na amostra biológica analisada.
Na época, o chefe do Laboratório Forense, Thalmanny Goulart, responsável pelo exame, explicou que o sulfotep é um fosfato orgânico altamente tóxico por todas as vias de exposição. Já o terbufós é uma enzima que desempenha uma função crítica na transmissão dos impulsos das fibras nervosas.
*Com informações do MP-AL
